O cheiro de diesel e o barulho do motor do caminhão que passa pela rua de serviço do ICC mostram um pouco do que os professores do Departamento de Desenho Industrial (DIN) enfrentam ao dar aulas no laboratório de informática do curso. Ao todo, sete disciplinas dividem o corredor da morte, que fica no subsolo da ala sul do prédio, com oito centros acadêmicos (CAs). Em reunião de colegiado, docentes votaram que o local é insalubre. Paulo César Marques, prefeito do Campus, prometeu que não haverá mais aulas no local no próximo semestre.
“No 2º semestre, esperamos ter espaço no Minhocão para acomodar todo o DIN”. Em 26 de maio de 2010, a Secom publicou uma matéria divulgando o fim das aulas no corredor da morte. Naquela semana, a Prefeitura do Campus, em reunião com o chefe de Gabinete da Reitoria, decidiu remover as disciplinas que dividiam o espaço com seis CAs. Cinco salas ocupadas pelo Instituto de Biologia foram realocadas, além de duas ocupadas pela Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV). O mesmo não ocorreu com o Desenho Industrial.
Menos de um mês depois da determinação da Prefeitura do Campus, o Dinfo começou a funcionar no local. Na data em que a resolução saiu, o laboratório estava sendo reformado pela própria Prefeitura para receber nove disciplinas. A obra terminou em junho e as aulas começaram no mesmo mês.
A sala foi cedida ao departamento em julho de 2009 por causa da falta de espaço no Instituto de Artes, onde fica a coordenação do curso. Segundo Evando Perotto, chefe do DIN na época, após reunião com a vice-reitoria, a Prefeitura e o Ceplan, ficou decidido que o laboratório de informática ocuparia uma sala no corredor da morte. “A gente ia pra lá antes dos CAs. Os CAs foram pro corredor e a gente continuou alocado lá”, pontua Evandro. “Não tinha pra onde correr”.
Agora, o professor está dando aulas de Programação Visual 2 no Dinfo e acha a convivência com os centros acadêmicos tranquila. “Já esteve pior. Atualmente não está mais rolando som alto e não tenho visto alunos bêbados nem drogados”, relata. “O pior é a insalubridade”.
CONVIVÊNCIA – Tiago Barros, coordenador do curso, deu aulas no local no semestre passado. “Lá temos problema com barulho e com festas. Várias disciplinas tiveram de ser realocadas ao longo do semestre, por impossibilidade de conviver no espaço”, afirma. Além da convivência com os CAs, professores e alunos enfrentam o barulho da rua de serviço e o calor por falta de ventilação da sala. “O ambiente escuro, todo pichado, em que cada um faz o que quer é o ambiente onde temos aulas”, pontua Tiago.
Uma das salas do corredor foi arrombada esta semana. No laboratório, há mais de 20 computadores do Departamento de Desenho Industrial (DIN). “A nossa sala fica ao lado da sala arrombada. É a sala mais cara do curso. Temos grade para proteger o equipamento. É com essa atmosfera que precisamos lidar”, relata o coordenador. Ele conta que o colegiado do curso tem discutido esse assunto nas reuniões. “Além de inadequado, é longe do departamento e não dá nem para deixar aberto o tempo todo”.
O professor de Programação Visual 3, Rogério Câmara, acha o corredor da morte incômodo. Ele conta que já foi obrigado a interromper algumas aulas para pedir para que os estudantes abaixassem o som ou o volume das vozes, mas não acha que essa convivência seja a pior parte de estar no corredor. “A sala é barulhenta e não tem arejamento”, diz. “A insalubridade incomoda mais que os CAs”.
“Não acho que as aulas no Dinfo sejam um problema”, afirma a estudante do 3º semestre de Desenho Industrial Natália Loose. “Enquanto sala de aula, funciona como qualquer outra. Nosso problema mesmo é que o curso está espalhado por conta de não ter o prédio próprio”.