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Brasília

Descaso com pacientes e alunos no HUB

Arquivo Geral

21/11/2010 13h42

Roberto Studart

roberto.studart@clicabrasilia.com.br

O caos que recai sobre a saúde do Distrito Federal parece aumentar a cada dia. O cenário é desolador para quem necessita do Sistema Único de Saúde (SUS). Se já não bastasse a dificuldade para ser atendido, com poucos hospitais existentes – e a maioria com superlotação, o Hospital Universitário de Brasília (HUB) está com o pronto-socorro fechado há mais de dois anos e meio. Mais de 150 mil pessoas deixaram de ser atendidas nesse período. E os problemas chegam até a formação dos alunos, que carecem de uma experiência mais prática e auxiliada.

 

“Ver uma pessoa chegar aqui com problemas graves e verificar vários profissionais  vestidos de jaleco branco sem poderem fazer nada  é lamentável”, afirmou o estudante de medicina Ciro de Melo. De acordo com alunos da Universidade de Brasília (UnB), cenas como essa se repetem várias vezes. A solução para o impasse é encaminhar os pacientes para outros locais, como o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN).

 

Mas nem sempre o remanejamento dá certo. Segundo o estudante Pedro Henrique Morais, um porteiro do HUB faleceu após apresentar fortes dores no peito e não conseguir ser atendido no próprio hospital em que trabalhava devido ao fechamento do pronto-socorro. O homem teria vindo a óbito no caminho do HRAN. “Eu já presenciei uma senhora chegando aqui com o sistema respiratório e circulatório bem comprometido. Tive que encaminhá-la para outro lugar e o desfecho do caso, infelizmente, eu não sei”, disse Pedro.

 

De acordo com o diretor do HUB, Gustavo Homero, o pronto-socorro teve as atividades paralisadas em maio de 2008, após o chão do local começar a apresentar rachaduras, o que poderia até mesmo acarretar em um desabamento futuro. Após análise, os técnicos suspeitam que água pluvial tenha deslocado o solo.

 

Estudantes alegam que a direção do hospital descumpriu diversas vezes o prazo para entrega da obra. Segundo eles, o último acordo com a diretoria previa que a abertura de licitação para escolha da empresa responsável pela construção aconteceria em outubro deste ano. Para o diretor do hospital, o motivo do atraso seria a dificuldade de encontrar  mão de obra com qualidade técnica suficiente para realizar um projeto na área hospitalar. “Uma equipe já havia feito o plano, mas não atendeu as nossas necessidades. O novo projeto já está pronto, o que falta agora é somente a parte orçamentária. “No segundo semestre de 2011 a obra deverá ser entregue”, prometeu Gustavo. A previsão é que cerca de R$2 milhões sejam investidos no local.

 

Os alunos se sentem prejudicados com a situação, pois sem o pronto-socorro, que recebia cerca de 200 pacientes por dia, não há  contato próximo de doenças como diarréia, bronquite, meningite e pneumonia. “Eles nos encaminham para outros hospitais do DF, mas não temos a assistência eficaz e supervisionada que teríamos com nossos professores. A porta de entrada no mercado de trabalho é o pronto-socorro, e não temos a experiência necessária”, afirmou o estudante Pedro Henrique.

MÃO DE OBRA

Outro problema enfrentado pelo HUB é o grande número de médicos prestadores de serviço. Por não fazerem parte do quadro, eles não têm obrigação de cumprirem a tabela de horas necessárias para manter a equipe completa. Esse obstáculo fica mais evidente nos plantões de algumas áreas, como pediatria, obstrecia e neonatologia.

 

O pronto-socorro pediátrico do hospital chegou a ficar fechado por quatro dias em setembro por falta de médicos suficiente para fechar o plantão. A estimativa é de que mais de 200 crianças deixaram de ser atendidas. Após o compromisso dos médicos terceirizados em cumprir as horas, o local voltou a funcionar.

 

Atualmente, a maternidade enfrenta o mesmo problema de médicos contratados. Há rumores que ela também venha a ter os trabalhos paralisados.  Segundo Gustavo Homero, a solução seria a realização imediata de um concurso público para prover cerca de 600 vagas no hospital. Destas, cerca de 130 seriam para médicos. “Uma ação civil pública tramita na Justiça Federal para cobrar rapidez na realização do exame”, esclareceu o diretor.

 

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