Foram 17 dias de internação até que o aposentado Eduardo Rodrigues, 62 anos, conseguisse finalmente passar pela cirurgia de troca de parafusos na coluna devido a uma hérnia de disco. Embora o paciente tenha sido internado no dia 2 de agosto, o dia da cirurgia era incerto. O caso dele foi contado em reportagens que o Jornal de Brasília publicou: uma em julho, que mostrava a lista de espera de 25 mil pessoas por uma cirurgia eletiva no DF; e no dia 4 de agosto, dois dias depois de ele ser internado. Ele foi operado ontem no Hospital Regional do Paranoá.
O filho de Eduardo, Darcon Rodrigues dos Santos, 35 anos, avisou que por três vezes a cirurgia foi cancelada. “Mesmo com meu pai internado, eles remarcavam o dia da cirurgia, sempre dizendo que faltava algum equipamento ou vaga”, relata. O procedimento vinha sendo aguardado desde setembro do ano passado, mesmo diante da urgência.
Mesmo depois de levar o caso para a Justiça, tendo assim a decisão favorável de um juiz em fevereiro deste ano, para o cumprimento do tratamento em um prazo de no máximo 15 dias, nada havia sido feito até então. Eduardo precisava passar uma cirurgia denominada artrodese lombar, de imediato, para por fim às dores que estava sentido.
UTI
Após o procedimento, o paciente passou 24 horas na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). “Os médicos falaram que tudo aconteceu como o previsto”, conta, aliviado. E não é para menos. Desde o diagnóstico de hérnia de disco, há 15 anos, o pai tem feito uma peregrinação em busca de uma vida sem dor. Eduardo já passou por outras duas cirurgias para colocação de pinos na coluna. Em todas as vezes, ficou anos na fila de espera. Eduardo tem oito parafusos na coluna. Da primeira vez, ele conta ter esperado por dois anos e na segunda, cinco anos.
O GDF informou que a cirurgia foi considerada um sucesso e que o paciente deve ter alta em dois dias.
Reportagem acelerou o processo
Três dias depois de a reportagem ser publicada, a Secretaria de Saúde entrou em contato com o paciente para encaminhá-lo ao Hospital Regional do Paranoá (HRPa).
O caso era para ter sido resolvido judicialmente, em questão de emergência, mas não foi. “Foi um erro do Estado. Não era para ser preciso tanta luta para conseguir”, lamenta Darcon Rodrigues, filho do aposentado Eduardo.
Esperança
O procedimento é a esperança do aposentado em levar uma vida mais feliz. No início do mês, ao receber a ligação do hospital, ele contou o que sentiu. “Fiquei com receio até de ser trote e, por isso, retornei a ligação para confirmar e eles avisaram que estava tudo pronto e mandou eu me dirigir à unidade de imediato”, relatou. Por outro lado, a família lamenta o fato de receber atendimento somente devido a exposição.
Darcon falou que, depois da cirurgia, a família espera acompanhamento no pós-operatório.
Relembre o caso
O Jornal de Brasília publicou reportagem em 31 de julho, revelando que havia 25 mil pessoas na espera por uma cirurgia e 139 decisões judiciais, só no primeiro semestre, favoráveis aos pacientes. Entre eles estava Eduardo Rodrigues. Na entrevista, o aposentado confessou a dificuldade em conviver com o problema.
A doença ocasiona prejuízo na coluna e limita a locomoção. “Não posso nem sair na porta de casa porque não consigo mais, as minhas pernas estão se atrofiando”, relatou.
Eduardo chorou ao falar que se sente um lixo diante do descaso no tratamento dele. “Eu choro de tanta dor, eu não aguento mais tanto sofrimento. Eu não tenho uma direção para ir, me sinto perdido”, lamentou, referindo-se ao fato de não saber mais a quem recorrer.