Continuar ou não com o sistema curricular por ciclos de aprendizagem e semestralidade? O impasse entre o GDF e a Justiça continua. Enquanto isso, 291 escolas decidiram manter a metodologia neste semestre. O que leva o governo a pagar multa diária de R$ 1 mil pelo descumprimento da decisão do juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública, determinando a anulação do modelo. Professores e pais também têm opiniões divergentes. Contudo, é unanimidade que a três meses do fim do ano letivo, mudar a processo pode prejudicar, pelo menos, 200 mil alunos.
Para a coordenadora de uma escola de Taguatinga, o processo de mudança foi “brusco, sem reflexão”. Ela citou como exemplo São Paulo, que acabou saindo deste sistema, pois não deu certo. “Aí, vem o DF, a capital do País, querendo copiar um modelo falido? Os meninos saem do Ensino Médio analfabetos funcionais com esse sistema. Não dá. E nós, professores, não estamos dispostos a avançar com alunos que não aprenderam o básico”, dispara.
Discussão
A promotora Márcia Pereira da Rocha ressalta que o Ministério Público do DF, que no início do ano proibiu a implementação dos sistemas, colocou o assunto para a avaliação da comunidade escolar. E pontua: a aplicação do sistema não está adequada. Porém, o acordo judicial firmado com a Secretaria de Educação foi assinado para não prejudicar os alunos.
“O MP sabia que as escolas haviam descumprido a determinação. Por isso, nossa preocupação agora foi de, pelo menos, diminuir os prejuízos. E, o que aconteceu ao final foi que o juiz entendeu que não foram obedecidos os critérios legais, por isso anulou, novamente, os sistemas. A conclusão é: o que vale hoje é a decisão de algumas escolas de manter às custas da multa diária de R$ 1 mil para o GDF”, diz.
No centro da briga, porém, Luís Claudio Megiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos do DF (Aspa), é contundente ao argumentar: “A Justiça foi morosa. Porque a gente, como pais, fica no meio dessa briga. E, na verdade, só queremos entender o que está acontecendo. Ninguém sabe ainda do que se trata essa metodologia. Não temos estrutura nem para ao ensino convencional nem para o sistema de semestralidade”, avalia.
Segundo o acordo judicial assinado em julho deste ano, as escolas são as principais balizadoras do sucesso da metodologia. Há uma cláusula específica que impõe a reversão do sistema, caso a instituição afirme que não quer mais trabalhar com os ciclos ou com a semestralidade. Contudo, para Luís o texto não pondera para a incoerência de manter dois sistemas de educação na mesma rede de ensino. “Não há como manter essa bagunça. Dois sistemas diferentes funcionando juntos”, avalia.
Luís destaca as reclamações sobre o impasse: “Recebo e-mails, ligações, quase todos os dias de pais querendo saber o que está acontecendo”.