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De novo: aumento na gasolina já dói no bolso

Petrobras reajusta em 7% a gasolina e em 9,1% o diesel, correspondendo ao aumento de R$ 0,21 por litro

Luciana Costa
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O novo preço da gasolina e do diesel, que começa a valer hoje, pesará mais ainda no bolso dos brasilienses. A Petrobras reajusta em 7% a gasolina e em 9,1% o diesel, correspondendo ao aumento de R$ 0,21 por litro. No reajuste do mês de setembro, a gasolina já havia subido 7,2%; os valores no acumulado dos últimos 12 meses, é de 68%.

Nos postos do Distrito Federal, o preço médio da gasolina se já aproximava de R$ 7 por litro. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), após o primeiro reajuste em outubro, o preço cobrado na capital variou entre R$ 6,13 a R$ 6,99.

Agora, o marco de 7 reais pode ser ultrapassado facilmente, de acordo com Paulo Roberto, Presidente do SindiCombustíveis do DF. “Infelizmente, mais um reajuste. É o 15º reajuste neste ano, que já somam um aumento de 68%, e com certeza, virão novos aumentos se a Petrobras continuar seguindo essa política de preços”, afirma.

Com mais de 1,3 milhão de carros na cidade, os brasilienses já sentem no bolso o custo alto da gasolina, que reclamam da instabilidade dos preços nos postos. Domingos Antônio, de 51 anos, aposta que “até dezembro estará dez reais!”, e complementa, sério, “um tanque pode custar meio salário-mínimo, seria cômico se não fosse catastrófico”.

As viagens para o Plano Piloto estão cada vez mais difíceis de bancar, para muitos, a saída tem sido optar pelo transporte público. Mas, Moisés Wanzeller, 26, que mora em Sobradinho II e trabalha na Asa Norte, diz que prefere cortar gastos onde possível para manter o veículo abastecido. “A gasolina não é um artigo de luxo, mas um elemento básico na rotina de milhões.”

Muitas pessoas já vivem dentro de limites estreitos e ter que se adaptar novamente para ‘fazer caber’ no orçamento. “O grande receio das pessoas é que os cortes comecem a ser feitos em itens que são essenciais”, afirma Moisés.

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Para ele, é injustificável a política de preços da Petrobras. “A Petrobras, que detêm o monopólio de combustíveis do país, adotou uma política que se preocupa em distribuir lucros a meia dúzia de pessoas e pouco se importa com o acesso da população a um item que é básico no dia a dia”, opina.

A Petrobras justificou que “esses ajustes são importantes para garantir que o mercado siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras.”

GDF vai reduzir o ICMS

Neste ano, o GDF sancionou lei que reduz a alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre combustíveis. A partir do ano que vem, é previsto que a redução aconteça gradualmente em 1% anualmente até 2024.

A incidência sobre combustíveis líquidos sem alíquota específica, que englobam a gasolina e o álcool é de 28% e cairá para 25% em 2024. A taxa sobre o diesel, de 15% para 12%. O texto também estabelece a incidência de 28% do ICMS, sobre serviço de comunicação, petróleo e combustíveis gasosos.

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Na prática, a medida reduz os combustíveis de volta para os valores de 2015. A Secretaria de Economia do Distrito Federal estimou que não arrecadará mais de R$ 345 milhões de reais, sendo compensado pelo reaquecimento do comércio e do maior consumo dos brasilienses.

Saiba mais

  • O anúncio ocorreu logo após o presidente da República, Jair Bolsonaro, dizer em entrevista a uma rádio do Mato Grosso do Sul que não é “malvadão” e que não quer “aumentar o preço de nada”;
  • “Alguns me criticam, o preço do combustível, o preço do gás. Eu não sou malvadão, eu não quero aumentar o preço de nada. Mas não posso interferir no mercado. Se pudesse, iriam dizer que eu queria interferir no preço da carne que vocês produzem no Mato Grosso do Sul”, afirmou Bolsonaro;
  • A escalada do preço do diesel gerou esta semana paralisação de empresas transportadoras de combustíveis de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, com reflexos sobre a renovação de estoques de postos de gasolina nos dois estados.
  • Tem sido combustível também para a insatisfação de caminhoneiros, que prometem paralisação no dia 1º de novembro para cobrar ação do governo.








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