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Brasília

Dano que começou em hospital

Arquivo Geral

18/10/2013 7h01

Uma grande mancha de óleo tomou conta de aproximadamente três quilômetros de extensão do Lago Paranoá. De acordo com  o presidente da Novacap, Nilson Martorelli,  o problema é decorrente, mais uma vez, do vazamento de uma caldeira do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Com isso, além dos danos ambientais irreparáveis ao meio ambiente, o acidente também ocasionará   prejuízo ao erário:    a multa aplicada pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) pode chegar a  R$ 800 mil. 

 

Imagens aéreas feitas pela reportagem do Jornal de Brasília mostraram que a mancha se espalhou por áreas próximas ao Clube dos Fuzileiros Navais e ao Iate Clube, no Setor de Clubes Norte. Uma parte do Setor de Hotéis de Turismo Norte também foi atingida. De acordo com o superintendente de Licenciamento e Fiscalização do Ibram, Aldo Fernandes, uma amostra   foi coletada para identificar a origem do óleo. “Será necessária uma varredura, feita por meio de um robô e de equipes que percorrerão vários pontos”, disse. 

 

O superintendente  do órgão informou estar convicto de que o acidente trará danos para a flora e a fauna da região do espelho d’água.  Para Fernandes, a recuperação do lago não ocorrerá num período inferior a seis meses.

 

Segundo a gerente de Fiscalização do Ibram, Fernanda Tápia, os responsáveis pelo acidente serão penalizados. “Estamos auxiliando a contenção e vamos avaliar, junto com outros órgãos, quem são os responsáveis para (aplicar) possíveis punições, independentemente de quem seja o infrator, órgão governamental ou não”, destacou. Ela alerta que a contaminação pode matar os peixes.

 

Segundo o major do Corpo de Bombeiros  Eduardo Luiz Gomes, o objetivo inicial foi conter o vazamento. “Verificamos o vazamento de óleo na galeria de águas pluviais do Iate Clube e montamos uma barreira de contenção para impedir que essa mancha se alastre ainda mais”, ressaltou.

 

De acordo com ele, a contenção foi feita na saída da galeria, com instalação de três barreiras de 15 metros cada, feitas em material que retém o produto químico.  Depois, foi jogado um pó de alta capacidade de absorção.

 

As ações começaram pela manhã. Equipes do Ibram, do Corpo de Bombeiros, da Marinha e da  Caesb  também auxiliaram no trabalho.

 

Clube


De acordo com os funcionários do Iate Clube, o vazamento ocorreu por volta das 15h da última quarta-feira, mas só ontem o Corpo de Bombeiros chegou ao local.  

 

O Iate Clube  informou que ficará aberto hoje, mas as atividades aquáticas feitas no Lago Paranoá estão suspensas por tempo indeterminado. 

 
A história se repete um ano depois


Não é a primeira vez que o Hran é protagonista de problemas relacionados  ao vazamento de poluente de suas caldeiras. Em junho de 2012, a unidade foi multada pelo mesmo problema. Após fiscalização de analistas ambientais do Ibram, em conjunto com técnicos da Caesb e da Novacap, foi feita uma varredura na galeria de águas pluviais a partir do ponto de lançamento onde ocorreu a contaminação. A conclusão foi de   que a origem do óleo derramado era   uma caldeira utilizada pelo hospital, e de responsabilidade operacional de uma empresa terceirizada.
De acordo com o Ibram, o manejo incorreto do óleo tipo BPF e os vazamentos existentes no sistema e uma falha na boia de controle do reservatório fizeram o líquido escoar pelo sistema pluvial e ser levado até o lago pela chuva.
 
 
Penalidades
 
Segundo o presidente da Comissão de Direito Ambiental e Urbanístico do DF, Nelson Buganza, os dirigentes da empresa responsável pelo problema podem ser acusados criminalmente. “A empresa não é parte legítima para ir para a cadeia, contudo, os dirigentes da instituição podem ser acusados de crime ambiental. Neste caso, o tempo de reclusão é de dois a quatro anos. Isso porque, em seu artigo segundo, a lei  prevê a desconsideração da pessoa jurídica”, explica.
 
Governo
 
De acordo com Nelson, caso seja comprovada negligência na contratação de algum serviço que tenha provocado o vazamento, o DF pode ser penalizado judicialmente. “O DF também pode ser responsabilizado. Se for comprovada irresponsabilidade na contratação pública, o governo pode vir a responder. A multa pode chegar a milhões”, diz. A reportagem procurou a Secretaria de Saúde, mas não obteve retorno.
 
Não há perícia, diz especialista
 
Para o professor do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade de Brasília  Gustavo Souto Maior, o acidente ocorrido no Lago Paranoá acende um alarme sobre a falta de perícia para evitar esse tipo de acidente. 
“Em breve, o Lago Paranoá será uma fonte de abastecimento de água para a população. Então, a preocupação é: se a gente vai beber essa água, esse tipo de acidente não pode acontecer. Além disso, ele é patrimônio do DF e destinado para múltiplos usos. Esse vazamento começou um dia antes de as primeiras providências terem sido tomadas”, ressalta.
 
Consequências
 
Segundo ele, os danos podem ser irreparáveis: “Se esse óleo for derivado de petróleo, afeta a fauna do lago, além disso, a flora também está sendo agredida. A gente não tem a dimensão do tamanho do estrago feito. A primeira providência é conter e tentar evitar que ela se espalhe. Feito isso, é o momento de trabalhar para minimizar as perdas”, observa.
 
Recuperação
 
Souto destaca que o trabalho de recuperação não conta com tempo determinado para ser concluído. “Não se consegue retirar 100% do óleo,  mas dá para retornar praticamente a situação original. Leva muito tempo em função da extensão da mancha, mas não é possível definir um prazo exato”, acrescenta.
 

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