Uma grande mancha de óleo tomou conta de aproximadamente três quilômetros de extensão do Lago Paranoá. De acordo com o presidente da Novacap, Nilson Martorelli, o problema é decorrente, mais uma vez, do vazamento de uma caldeira do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Com isso, além dos danos ambientais irreparáveis ao meio ambiente, o acidente também ocasionará prejuízo ao erário: a multa aplicada pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) pode chegar a R$ 800 mil.
Imagens aéreas feitas pela reportagem do Jornal de Brasília mostraram que a mancha se espalhou por áreas próximas ao Clube dos Fuzileiros Navais e ao Iate Clube, no Setor de Clubes Norte. Uma parte do Setor de Hotéis de Turismo Norte também foi atingida. De acordo com o superintendente de Licenciamento e Fiscalização do Ibram, Aldo Fernandes, uma amostra foi coletada para identificar a origem do óleo. “Será necessária uma varredura, feita por meio de um robô e de equipes que percorrerão vários pontos”, disse.
O superintendente do órgão informou estar convicto de que o acidente trará danos para a flora e a fauna da região do espelho d’água. Para Fernandes, a recuperação do lago não ocorrerá num período inferior a seis meses.
Segundo a gerente de Fiscalização do Ibram, Fernanda Tápia, os responsáveis pelo acidente serão penalizados. “Estamos auxiliando a contenção e vamos avaliar, junto com outros órgãos, quem são os responsáveis para (aplicar) possíveis punições, independentemente de quem seja o infrator, órgão governamental ou não”, destacou. Ela alerta que a contaminação pode matar os peixes.
Segundo o major do Corpo de Bombeiros Eduardo Luiz Gomes, o objetivo inicial foi conter o vazamento. “Verificamos o vazamento de óleo na galeria de águas pluviais do Iate Clube e montamos uma barreira de contenção para impedir que essa mancha se alastre ainda mais”, ressaltou.
De acordo com ele, a contenção foi feita na saída da galeria, com instalação de três barreiras de 15 metros cada, feitas em material que retém o produto químico. Depois, foi jogado um pó de alta capacidade de absorção.
As ações começaram pela manhã. Equipes do Ibram, do Corpo de Bombeiros, da Marinha e da Caesb também auxiliaram no trabalho.
Clube
De acordo com os funcionários do Iate Clube, o vazamento ocorreu por volta das 15h da última quarta-feira, mas só ontem o Corpo de Bombeiros chegou ao local.
O Iate Clube informou que ficará aberto hoje, mas as atividades aquáticas feitas no Lago Paranoá estão suspensas por tempo indeterminado.
Não é a primeira vez que o Hran é protagonista de problemas relacionados ao vazamento de poluente de suas caldeiras. Em junho de 2012, a unidade foi multada pelo mesmo problema. Após fiscalização de analistas ambientais do Ibram, em conjunto com técnicos da Caesb e da Novacap, foi feita uma varredura na galeria de águas pluviais a partir do ponto de lançamento onde ocorreu a contaminação. A conclusão foi de que a origem do óleo derramado era uma caldeira utilizada pelo hospital, e de responsabilidade operacional de uma empresa terceirizada.