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Cultura movimenta engrenagem fundamental na economia do DF

Somente no ano de 2021, o DF foi a unidade federativa que mais investiu em cultura no país, e tais investimentos geraram impacto

Mayra Dias
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“A capital tem todos os benefícios econômicos advindos do FAC. Em toda a cadeia produtiva da economia criativa, que gera emprego e renda maciçamente, aos benefícios da qualidade de vida do cidadão”, afirma Carlos Alberto Júnior, secretário executivo da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do DF (Secec). Somente no ano de 2021, o Distrito Federal foi a unidade federativa que mais investiu em cultura no país, e tais investimentos geraram impacto não só no setor cultural da região, mas na economia como um todo.

Desde o dia 3 de maio, o Fundo de Apoio à Cultura (FAC) está com inscrições abertas e, estas, seguirão aceitando inscritos até o dia 1 de junho. São 32 milhões de reais para, pelo menos, 332 projetos em três linhas, das quais 100 se destinam a proponentes que nunca acessaram o FAC. Contemplada pelo apoio, Suene Karim, atriz e produtora cultural, conta como o aporte foi necessário para o seu projeto que, pela segunda vez, foi abraçado pela pasta. “O FAC tem grande importância no meu trabalho tanto como atriz quanto gestora de projetos. Há uma grande roda de fomento onde, ora você contrata, ora é contratado, ora atua, ora administra”, comenta a artista. “Enquanto política pública, o apoio para a cultura é demasiadamente eficaz, e alimenta outras cadeias produtivas e outras áreas da economia”, acrescenta Suene, que trabalha com iniciativas voltadas para cultura popular de raiz preta e matriz africana.

De acordo com Carlos Alberto, em cada projeto aprovado, há uma porcentagem que varia entre 5% a 20% do valor em divulgação, ou seja, até 6,4 milhões podem fomentar uma cadeia composta por assessores de imprensa, designers, fotógrafos e gráfica. “O DF, investindo como investe na cultura, com eventos gratuitos e de qualidade, otimiza, cada vez mais, a qualidade de vida do seu cidadão”, pondera.

Como defende Suene, um proponente com projeto aprovado irá contratar, no mínimo, 10 pessoas para prestar serviços variados, além movimentar restaurantes, hotéis, transporte, gráficas, designers, sociais mídias, ocupar escolas, praças, equipamentos culturais parados. “Todas essas pessoas e estabelecimentos pagam serviços de água, luz, aluguel, escola, vestuário, alimentação.. esse esquema mostra a importância do FAC não só para o meu trabalho, mas para a economia do Estado”, argumenta.

Dono de uma gráfica na capital, Marcondes Bé comenta que 10% do seu faturamento anual é reflexo do FAC. “É uma parte importante da produção gráfica. Contratam a gente para imprimir cartazes, folders, cartilhas, muitos materiais ligados a área cultural”, compartilha o empresário. “Daí a importância de se manter as edições, pois conforme o projeto vai crescendo, aumentando a quantidade de contratos direto para o artista, aumenta, na mesma proporção, os contratos indiretos com os trabalhadores de todo mecanismo backstage”, pontua Karim.

O FAC Brasília Multicultural I, apresenta-se mais inclusivo, democrático e com novas linhas de apoio, como “Arte Técnica”, voltada para os profissionais dos bastidores e coxias; e “A Primeira Infância” e “60+”, com projetos incentivados para públicos etários. O segmento carnavalesco ganhou atenção especial, premiando desde pequenos blocos de rua até as escolas de samba da elite do carnaval brasiliense. Aposta dessa gestão da pasta, a categoria “Meu Primeiro FAC”, para agentes culturais nunca comtemplados, teve valores reajustados de R$ 40 mil para 60 mil, com reserva de vagas para pessoas com deficiência (PCDs), agentes acima de 60 anos e distribuição regionalizada.

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“O Fundo de Apoio à Cultura é uma política de fomento única no país”, lembra o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues. “Em 2021, fomos a unidade da Federação que mais investiu em cultura, com aporte de R$ 152 milhões. Agora, seguimos firmes no fomento para projetos que vão gerar renda para trabalhadores da cultura e movimentar a economia do DF”, continuou. Depois de passar por audiências e consultas públicas, o edital FAC Brasília Multicultural I chega aprimorado aos agentes culturais. São três categorias: Cultura de Todo Tipo, Meu Primeiro FAC e Jeito Carnavalesco.

Quadradinho da cultura

Considerado um forte pólo cultural, Brasília se destaca cada vez mais em áreas como a música e o cinema. Tanto na produção musical quanto nas iniciativas voltadas ao audiovisual, a capital é detentora de uma grande capacidade para criações com qualidade. “O DF foi a capital do rock nos anos 80 e 90, agora emerge com o sertanejo. É a cidade fora do Nordeste com o maior número de mamulengueiros (brincantes de teatro de mamulengo), além de ser um braço muito forte das manifestações culturais de terreiro, do Maranhão e do Pernambuco, contando com teatros de bolso que conferem identidade e resistência à cidade”, salienta Suene Karim.

Conforme comenta Bartolomeu Rodrigues, a cultura, além de um direito constitucional na Carta Magna, é a constituição dos valores de identidade, representatividade e pertencimento de um terreiro. “O Setor Cultural de Brasília traz esse importante conjunto de valores aprofundados nos breves 62 anos, ao mesmo tempo que movimenta os investimentos do GDF na cultura, sendo um dos mais ativos na economia”, declara. “A capital contempla um caldeirão de todas as linguagens, regionalidades e culturas internacionais num só lugar. Artistas e arte de Brasília influenciam e influenciaram a arte brasileira”, finaliza o secretário.

Linhas do edital

Cultura de Todo Tipo

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155 vagas de projetos para os módulos I (teto de R$ 100 mil) e II (entre R$ 100 mil e R$ 200 mil). O valor total é de R$ 19,6 milhões, com 24 vagas reservadas para pessoas com deficiência (PCD) e dez para proponentes com idade acima de 60 anos. Todos os projetos devem apresentar ações de acessibilidade cultural e apresentar alcance e relevância cultural.

Meu Primeiro FAC

100 vagas de projetos no valor de R$ 60 mil) O valor total é de R$ 6 milhões, com 40 vagas regionalizadas, dez vagas reservadas para pessoas com deficiência (PCD) e sete para proponentes com idade acima de 60 anos. Todos os projetos devem apresentar ações de acessibilidade cultural, alcance e relevância cultural. As vagas regionalizadas são reservadas para agentes culturais não residentes no Lago Sul, Lago Norte, Plano Piloto (excetuando-se Vila Telebrasília e Vila Planalto), Sudoeste/Octogonal e Noroeste. Os projetos apresentados são livres.

Jeito Carnavalesco

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São, ao menos, 77 vagas de projetos para atividades carnavalescas de rua e de escolas de samba. O valor total é de R$ 6,4 milhões. Uma dessas categorias vai organizar o desfile das escolas de samba em 2023, com aporte de R$ 1 milhão. Todos os contemplados dessa linha devem obrigatoriamente se apresentar entre 1° de fevereiro e 15 de março de 2023








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