Menu
Brasília

Cuidado: motoristas sem carteira à solta

Arquivo Geral

04/11/2013 7h03

Eric Zambon
Especial para o Jornal de Brasília
 
 
Buzinadas e xingamentos não incomodam Tatiene Rocha, 23 anos, no trânsito de Brasília. “Não estou nem aí”, atesta a estudante de Relações Internacionais e moradora do Jardim Botânico. Ela começou a dirigir aos 18 anos e revela ter tido dificuldades para se adaptar ao volante no início, mas diz que já pegou o jeito. A jovem, no entanto, só tirou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) este ano.
 
“Em 2009 eu abri o processo para tirar a carteira aqui em Brasília, mas não concluí porque viajava muito”, conta Tatiene. Em 2011, ela voltou a morar no Distrito Federal, após passar um tempo em Goiânia e São Paulo. Por morar longe dos locais em que geralmente vai no dia a dia, dirigir sempre foi uma necessidade. Mesmo assim, ela ainda demorou quase dois anos para finalizar os trâmites e conseguir sua permissão.
 
Ocorrências
 
Dirigir veículo sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou Permissão para Dirigir é infração gravíssima, prevista no artigo 162 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), passível de multa e apreensão do veículo, além de pontos na carteira. No DF, a quantidade de ocorrências desse tipo de infração, ao final desse ano, deve apresentar aumento em relação ao quadro visto em 2012. No ano passado, foram 13.381, enquanto em 2013, apenas de janeiro a julho, já houve mais de dois terços desse número, 9.556, segundo o Departamento de Trânsito (Detran-DF). Isso representa aproximadamente 45 condutores autuados diariamente por não possuírem habilitação.
 
Aumento de pessoal
 
O diretor-geral adjunto do órgão, Francisco Saraiva (foto abaixo), no entanto, explica que mais registros de motoristas conduzindo sem possuir CNH não estão necessariamente ligados ao aumento da incidência da infração. “Tivemos aumento de pessoal esse ano”, disse Francisco. “Assim, as fiscalizações acontecem mais e uma quantidade maior de gente é pega nas blitze”, complementa.
 
 
Infração é grave e pode gerar multa
 
A estudante Tatiene Rocha conta que várias circunstâncias a fizeram se arriscar e sair dirigindo sem carteira de habilitação, já que precisava cuidar dos afazeres diários, ainda mais depois que se tornou mãe, há seis meses. O transporte coletivo poderia ser uma alternativa. “Em ônibus eu geralmente passo mal. Os motoristas dirigem ‘voando’ e aquele veículo balançando me deixa enjoada”, afirma a jovem.
 
Tatiene, inclusive, já foi pega duas vezes conduzindo sem a Carteira Nacional de Habilitação, mas não tem arrependimento. “Nunca tive medo de acontecer alguma coisa, só de ser parada pela polícia”, admite. “Em uma das vezes fui parada pela Polícia Federal saindo de Brasília para Goiânia sem carteira, mas dei sorte que o policial era mais gente boa e deixou alguém vir me buscar para levar o carro”.
 
O outro caso em que a estudante foi flagrada foi em frente ao Museu do Índio. Dessa vez, no entanto, o carro foi apreendido e ela teve de pagar a multa de  R$ 574,62, conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). 
A justificativa apresentada por Tatiene, além da necessidade de deslocamento, é que ela conhece várias pessoas habilitadas com noções de condução de veículos bem piores do que as dela.
 
Risco
 
“Muitas pessoas pensam que aprenderam a dirigir antes de fazer a prova. Você aprende com o pai ou a mãe, olhando, então acha que sabe mais do que alguém habilitado, mas não é assim”, alerta o especialista em trânsito Hartmut Gunther. “Se a pessoa exerce qualquer ofício sem saber o que está fazendo, coloca a própria vida em risco. Sem preparo com um carro, que é uma arma, a situação é a mesma”, completa o especialista.
 
A reportagem completa está disponível na edição digital do JBr desta segunda-feira.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado