Ansiedade, baixa autoestima, dificuldades familiares, dependência financeira e situações de violência estão entre os motivos que levam mulheres a procurar as unidades do Centro de Referência da Mulher Brasileira (CRMB), no Distrito Federal. Os equipamentos da Secretaria da Mulher (SMDF) oferecem acolhimento, orientação e acompanhamento psicossocial gratuitos, com foco no fortalecimento feminino e no acesso à rede de proteção.
O atendimento está disponível nas unidades do Recanto das Emas, Sol Nascente, São Sebastião e Sobradinho II. Para acessar o serviço, basta apresentar um documento oficial com foto. O primeiro acolhimento ocorre por demanda espontânea ou mediante agendamento, conforme a disponibilidade da equipe técnica, sem necessidade de marcação prévia.
Segundo a secretária interina da Mulher, Jackeline Aguiar, o serviço funciona como uma porta de entrada para mulheres que precisam de ajuda. Ela afirma que mulheres com dificuldades emocionais, problemas familiares, dependência financeira, baixa autoestima ou que simplesmente precisem de orientação podem buscar o auxílio. As unidades também contam com espaço destinado às crianças, com monitoras, para que as mães participem das atividades com tranquilidade.
O trabalho é realizado por equipes multidisciplinares formadas por psicólogas, assistentes sociais, assistentes jurídicas e enfermeiras. Cada unidade pode atender até 21 mulheres por dia, totalizando cerca de 714 atendimentos mensais entre atividades individuais e em grupo.
O atendimento começa com uma escuta qualificada, a partir da qual a equipe identifica a demanda apresentada e constrói um plano de acompanhamento individual voltado à proteção e ao fortalecimento da autonomia da mulher. A psicóloga Amanda Araújo dos Santos explica que esse processo permite entender as necessidades de cada pessoa e definir os encaminhamentos mais adequados.
Uma das mulheres atendidas, a dona de casa Nicolly Ketlin Oliveira, de 20 anos, procurou o serviço em busca de auxílio para lidar com a ansiedade. Mãe de Benjamin Silva, de 1 ano e 1 mês, ela relata que encontrou no local um espaço de escuta e cuidado. Além do acompanhamento, Nicolly participou de oficinas de capacitação em crochê, amigurumi e empreendedorismo, que, segundo ela, contribuíram para fortalecer sua autoestima e enxergar novas possibilidades para o futuro.
A coordenadora de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher, Keila Domingues, afirma que o serviço psicossocial é fundamental porque muitas mulheres chegam sem conseguir enxergar a própria dor. Segundo ela, o trabalho vai além da orientação e busca oferecer suporte emocional, fortalecer a autonomia e ajudar na recuperação da voz e da dignidade.
Embora conte com psicólogas na equipe, o CRMB informa que o acompanhamento psicossocial não substitui a psicoterapia clínica tradicional. O foco das unidades é oferecer suporte, orientação e fortalecimento, considerando aspectos emocionais, sociais, familiares e econômicos que influenciam a vida de cada mulher.
Recanto das Emas: Av. Buritis, Quadra 203, Lote 14. Atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Telefones: (61) 3181-2665 / 3181-2666.
Sol Nascente: Trecho 2, Quadra 100, Conjunto A, Lote SC1 – Pôr do Sol. Atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Telefones: (61) 3181-2255 / 3181-2660.
São Sebastião: Área Especial AE 11, Centro de Múltiplas Atividades. Atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Telefones: (61) 3181-2661 / 3181-2662.
Sobradinho II: AE 6 Comer, Quadra 1, Setor Oeste. Atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Telefones: (61) 3181-2663 / 3181-2664.
*Com informações da Agência Brasília