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Brasília

Crimes bárbaros assustam as mulheres do DF

Arquivo Geral

05/07/2013 7h35

Em dois dias, quatro casos de estupro vieram à tona e três pessoas foram presas – um suspeito é procurado.  As estatísticas são alarmantes e deixam as brasilienses preocupadas. No primeiro semestre,  de acordo com a Polícia Civil, foram registradas 455 ocorrências, a exemplo do que ocorreu na última quarta-feira em uma igreja na Asa Sul, quando uma funcionária foi rendida e abusada. Já em Sobradinho, uma mulher foi violentada e o criminoso teria até mesmo bebido o sangue da vítima. A média de casos até agora é de dois por dia.

 

Em 70% das ocorrências deste ano, não houve conjunção carnal. A maioria dos crimes  foi cometida dentro de uma residência e   predominam casos onde o agressor possui algum  vínculo com a vítima. Mas o crime cometido na igreja foge completamente deste perfil. 

 

A polícia começa a ter pistas  sobre o homem que estuprou a secretária de 24 anos na Igreja Episcopal Anglicana, na 309/ 310 Sul. De pele negra, cabelo crespo, acima do peso e usuário de óculos de grau, o homem de idade entre 30 a 40 anos chegou a se certificar do melhor momento para agir. Ele rondou o templo  antes de cometer o crime, que durou   15 minutos. Por isso, para a polícia, o estupro da jovem que trabalhava há apenas uma semana ali pode ter sido premeditado.

 

O homem foi ao local um dia antes do crime, que aconteceu por volta das 13h30 de quarta-feira. Na terça-feira, às 12h44, o suspeito aparece nas imagens do circuito interno da igreja. Ele    conversou com o arcebispo e  pediu dinheiro para uma passagem de ônibus. O bispo deu-lhe  R$ 3.

 

Abordagem

 

Na quarta, o suspeito retornou à secretaria da igreja. Pediu   para falar com o responsável do templo, mas quando a funcionária se levantava, ele   anunciou o assalto. Ele teria a amordaçado, amarrado os braços e tentado estrangulá-la. Quando a jovem   estava desmaiada, o homem teria enrolado uma corda ao pescoço dela.

 

“Quando ela já estava desacordada houve a conjunção carnaval e anal. O rosto dela   foi colocado contra o chão”, explica a chefe da Delegacia da Mulher, Ana Cristina Melo. A vítima prestou depoimento logo depois  e,   abalada, mostrou as marcas.

 

“Apesar  nervosa, ela estava agradecida por estar viva. A jovem conta da certeza que tinha de ser assassinada. Ela perdeu a consciência e quando acordou estava sem a calça”, conta. 

 
 
Polícia pede ajuda
 
 
 
 
Informações preliminares identificam o homem como um andarilho da região. A delegada ressalta que o criminoso aproveitou  a oportunidade de a jovem estar sozinha e de o local ser de fácil acesso. “O bispo disse que há pessoas que entram na igreja pedindo auxilio e dinheiro, mas a polícia acredita em um crime premeditado. No circuito interno aparecem  imagens que revelam a entrada e saída dele por cerca de uma hora e meia até que se certifique do melhor momento. Provavelmente ele planejou a ação”, destaca.
 
 
Equipes da Deam estão em diligências   para tentar localizar o homem. A polícia acredita que está próxima de prendê-lo, mas pede auxílio para quem avistá-lo. Quem ver um homem com as mesmas características do suposto autor do crime pode ligar para a Deam no telefone 3442-4300 ou para o 197 da Polícia Civil. “As características dele são de fácil reconhecimento”, diz Ana Cristina.
 
 
 
 
Sensação de insegurança na região
 
 
 
 
Segundo o bispo Maurício Andrade, da Igreja Anglicana de Brasília, no dia anterior ao crime,  o suspeito disse que seu destino era   uma comunidade quilombola em Cristalina (GO). “Nunca tínhamos visto ele por aqui. Até contribuí com dinheiro  porque nós conhecemos muitos moradores de rua e flanelinhas das proximidades”, revelou.
 
 
E no dia do estupro, após chegar à igreja, o bispo ouviu da vítima que o criminoso era o mesmo homem que foi ao templo no dia anterior. Com isso, o religioso saiu em busca do suspeito. “Fui andando até a 110 Sul procurando o homem até encontrar uma viatura da polícia”.
 
 
O bispo afirma que a igreja demitiu recentemente o funcionário que fazia a segurança da igreja e um substituto começaria na próxima segunda-feira. Após o crime, a portaria passou a ser vigiada. “Vamos intensificar a questão da segurança. Câmeras identificam, mas não impedem nada”, admitiu.
 
 
 
Na 309/310 Sul, não faltam   relatos sobre a insegurança na região. Moradores e comerciantes relatam que as quadras têm recebido visitantes indesejados. Usuários de drogas rondam as proximidades   e aproveitam   as áreas com pouca iluminação.  
 
 
Para o porteiro  Edmílson Vieira, a situação está péssima na quadra. Em 23 anos trabalhando na 310 Sul, os oito últimos anos foram marcados por uma piora na segurança. “A gente trabalha com medo. Quando fico aqui sozinho, tenho muito receio. A gente liga para a polícia e eles não vêm, então isso deixa a gente mais inseguro ainda”, diz.
 
 
Segundo Leonardo Davidson, gerente de uma loja de eletrônicos próxima à igreja, o movimento de pessoas suspeitas acontece por volta das 7h e das 17h e o policiamento não é tão frequente quanto deveria ser. “A gente até vê a polícia. No sábado, até umas 11h a dupla Cosme e Damião faz a segurança. O ideal seria tê-los todos os dias. Inclusive, estamos fechando  a loja meia hora mais cedo por causa do risco”, revelou Leonardo.
 
A situação se transforma quando a luz acaba, e os maiores riscos são as áreas desertas, como atrás da Igreja Anglicana. É o que conta o estagiário Iago Campos. “É claro que assusta ver algo assim acontecendo aqui por perto”, afirmou.
 
A circulação de usuários de drogas diminuiu nos últimos tempos, segundo a aposentada Zelma Moreira, mas ela ainda se preocupa com a segurança dos netos. “Vinha muita gente gritando e fazendo bagunça, uns seis meses atrás. Agora parou um pouco, mas esse estupro traz um alerta de que é preciso ter mais atenção”, disse.
 

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