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Brasília

Crianças que sofreram atos de violência são mais suscetíveis a bulimia e anorexia

Arquivo Geral

09/10/2011 8h55

Camila Costa

camila.costa@jornaldebrasilia.com.br

 

Rejeitar um prato de comida ou comê-lo compulsivamente  pode mostrar que algo não está indo bem. O transtorno alimentar está cada dia mais frequente e precoce na vida de meninos e meninas, geralmente na fase da adolescência. Cultivado muitas vezes pelos padrões de beleza impostos pela mídia e pela sociedade, no século XXI esse tipo de distúrbio pode ter outro combustível: a falta de vínculos com amigos e familiares. Escondido, inicialmente, atrás de aparências normais, o transtorno alimentar mata, silenciosamente, a essência de  jovens em todo o mundo. 

 

No Distrito Federal, o Grupo de Atendimento aos Transtornos Alimentares (Gata) atende atualmente 320 jovens, com todos os tipos de transtorno, inclusive a obesidade, com 54% dos casos. Cerca de 22% são de jovens com bulimia ou anorexia e 24% de outros tipos de transtornos.

 

 Não existe uma única causa para o problema, mas, segundo a coordenadora do Gata, Graciane de Carneiro,  em quase 100% dos casos, o motivo é a exposição a algum tipo de violência. De acordo com um levantamento do grupo, 90,3% dos casos de anorexia são desenvolvidos depois de a criança passar por algum tipo de violência psicológica, enquanto a bulimia é responsável por 96% dos registros. “O jeito que a mãe, uma avó, ou um amigo fala com aquela criança é fundamental para o desenvolvimento. Tem casos de crianças que são xingadas, chamadas de gordas”, explica.

 

Já a violência física é responsável por 60% dos casos de bulimia. Entre os anoréxicos, 55% foram expostos a algum tipo de agressão. “É uma situação muito complexa. A causa específica não existe, mas a maior dificuldade dessas crianças e adolescentes está em viver num ambiente hostil. A opção que  têm é voltar-se para onde  têm controle, que é o corpo”, informa Graciane.

 

Leia mais na edição deste domingo (09) do Jornal de Brasilía.

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