Gabriela Coelho
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Um acontecimento inesperado em um posto de saúde de Sobradinho. Uma jovem de 20 anos teria entrado em trabalho de parto e dado à luz no banheiro da unidade hospitalar. Depois, o filho foi colocado em uma bolsa. Para a polícia, ainda não foi esclarecido se a mulher escondeu a gestação ou simplesmente não sabia que estava grávida.
De acordo com o delegado de plantão da 13ª Delegacia de Polícia (DP), Geraldo Barcelos, a mulher foi ao hospital acompanhada da avó, alegando que estava com cólicas. “A garota nos contou que enquanto a avó fazia os procedimentos de entrada no local, ela teria ido ao banheiro, achando que estivesse com dor de barriga, e a criança teria caído no vaso sanitário. Com medo, ela a embrulhou em um saco e a colocou na bolsa. No carro, o bebê chorou muito e foi descoberto pela avó”, detalha Barcelos.
Segundo a avó da menina, D.F., 57 anos, houve desconfiança da gestação. “Eu perguntava a ela e ela só me negava que estava grávida. Na madrugada de sexta-feira, ela acordou gritando, dizendo que estava com cólica. Levei ao Hospital Regional de Sobradinho, mas nos mandaram para um posto de saúde. Enquanto eu dirigia pra outro local, percebi que ela estava com um neném dentro da bolsa e me desesperei. Eu não vou ficar com a criança. Ela deve ficar com o pai”, declara a avó da jovem.
Na avaliação do delegado, a princípio não houve crime. “Ela informou que não sabia que estava grávida. Disse que há cerca de 15 dias notou que poderia ter engordado e comunicou ao pai da criança”, explica. Para Barcelos, a versão da jovem pode ser verdadeira. No entanto, ele observa que a gravidez pode ter sido escondida por medo da avó. “Temos a informação de pessoas próximas à família de que as duas brigavam muito”, destaca.
A jovem informou, também, que não tinha a intenção de fazer mal à criança. “Ela iria entregar a criança para o pai e a mãe dele cuidarem e ela cuidaria de longe, sem que avó soubesse. Já temos a informação de que a menina foi expulsa de casa um tempo atrás”, acrescenta.
Segundo o delegado, a garota fazia o uso de um anticoncepcional injetável. “De acordo com os médicos que estão cuidando dela e do bebê, é comum que isso aconteça, uma vez que mesmo tomando medicamento, pode haver uma pequena hemorragia parecida com menstruação, o que confunde as pessoas”, afirma.
A ginecologista Carla Martins explica que uma hemorragia durante a gravidez pode ser perigoso. “A jovem pode ter tido uma ameaça de aborto, mas como não sabia que estava grávida, não se atentou ao perigo. O problema não é do anticoncepcional e sim do corpo da gestante, que pode ter sofrido algum efeito colateral na gravidez”, diz.
Segundo a psicóloga Silvia Rech, o pavor da menina em relação à represálias pode ter influenciado no decorrer da gravidez. “O medo é tão grande que a própria gestante passa a acreditar que não esteja grávida. O medo influencia bastante”, conta.
O auxiliar de serviços gerais Eliseu Freitas presenciou a situação no hospital. “Eu vi quando ela chegou na porta do hospital sangrando muito. Vi também que a criança estava dentro de uma sacola plástica e chorava bastante. A avó dela gritava e a xingava”, afirma.