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Brasília

Crescimento desordenado causa aumento da temperatura em pontos do DF

Arquivo Geral

18/12/2010 16h18

Vanessa Marques

vanesa.marques@clicabrasilia.com.br

 

Planejado para ter 500 mil habitantes no ano de 2000, o DF tem população estimada em 2,6 milhões e sofre as consequências dos impactos ao meio ambiente
 

O crescimento desordenado da população nas últimas décadas trouxe impactos para o meio ambiente do Distrito Federal. Estudos realizados pelo doutor em geologia e professsor da Universidade de Brasília (UnB), Gustavo Macedo de Mello Baptista, apontam que a temperatura da cidade aumentou em média dois graus centígrados.

 

De acordo com ele, o DF está mais quente devido ao fenômeno das ilhas de calor, que é caracterizado pelo aumento de temperatura nos centros da cidades e clima mais ameno nos arredores.

 

Baptista explica que as áreas desmatadas e com solos expostos, como as áreas mineradas, apresentam temperaturas elevadas e podem ser caracterizadas também como ilhas de calor. Segundo ele, há vários lugares assim no DF e a ocupação desordenada é fundamental para a ocorrência desse fenômeno. “As áreas que apresentaram aumentos da ordem de 10 graus centígrados são áreas que tiveram um crescimento desordenado, como a cidade Estrutural”, afirma o geólogo.

 

Moradora da Estrutural há oito anos, Kátia Aparecida Gomes de Oliveira sente diferença do clima da cidade para as outras do DF. Ela afirma que mesmo quando a temperatura é amena, como em junho, na região o clima é abafado.

 

Kátia ressalta que a situação já foi pior há cinco anos e por causa dos investimentos na infra-estrutura a temperatura tem melhorado. “A cidade está ficando com o clima parecido com as demais de Brasília, já que de oito anos para cá a infra-estrutura tem desenvolvido bastante”, explica a moradora.

 

O metereologista do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet) Rangel de Farias Neto diz que o instituto nunca fez uma análise do clima que comprove a existência das ilhas de calor na cidade, mas acredita que deve haver o fenômeno no Setor Comercial Sul, pois houve crescimentos dos automóveis e prédios.

 

Baptista alerta que o fenômeno climático pode trazer malefícios à saúde. “O aumento da temperatura afeta a umidade e, como consequência, agravam-se os problemas respiratórios. Além disso, os corredores gerados pelos prédios dificultam a circulação do ar que impede a circulação de ventos e dispersão de poluentes”, explica.

 

O professor afirma que há várias soluções para as ilhas de calor já consolidadas. Segundo ele, os telhados verdes transformam-se em verdadeiros jardins na parte superior dos prédios, pois aumenta a umidade do ar que é o principal regulador da temperatura na atmosfera. “ Todo o incremento de vegetação em área urbana é bem vindo”, alerta. O fenômeno pode ser minimizado também com construções de áreas verdes e planejamento de novas ocupações.

 

Baptista acredita que a temperatura deve aumentar ainda mais, já que a migração para as áreas urbanas tem se intensificado. Porém ressalta que o fenômeno é  local e  não tem nada a ver com a tese fantasiosa do aquecimento global antropogênico.

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