Luís Augusto Gomes
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“Parece que estou vendo minha filha entrando por aquela porta”, diz, emocionada, a dona de casa Cesária Teixeira Rodrigues, 59 anos, ao comentar a morte da filha, a camareira Tatiana Cristina Rodrigues Jacoúna, 28 anos, que, segundo a polícia, teria sido assassinada pelo ex-companheiro, o pedreiro C.G.R.O., 29 anos. O corpo foi encontrado parcialmente carbonizado, em um magatal de uma área de chácaras entre o Riacho Fundo I e o Núcleo Bandeirante.
Cesaria afirma que a filha se envolveu com o ex-companheiro há três anos. O casal se conheceu no Núcleo Bandeirante, onde morava, e começou a namorar. Meses depois, foram morar juntos e tiveram um filho, que está com dois anos. Tatiana tinha duas filhas pequenas de uma relação anterior.
A mãe conta que no início do relacionamento, o ex-companheiro dizia que amava Tatiana. Ela era extrovertida, gostava de conversar e estava sempre sorrindo. Com o passar do tempo, segundo a mãe, ele revelou um ciúme doentio e chegou a agredi-la. A convivência teria se tornado insuportável pelas constantes discussões, como mostra o registro da agressão na 27ª DP (Recanto das Emas). Com base na Lei Maria da Penha, a Justiça determinou que o pedreiro ficasse afastado da camareira a pelo menos 200 metros.
Há pouco mais de um ano Tatiana decidiu romper a relação, o que teria deixado o pedreiro mais revoltado. Segundo Fabiana Jacoúna, 25 anos, irmã de Tatiana, ele passou a usar o filho para se aproximar da ex-companheira. “Ele telefonava, principalmente, de madrugada para controlar onde ela estava”, afirma.
Ciúme doentio
Fabiana diz que o ciúme tornou-se doentio quando a irmã arrumou um namorado e o ex-companheiro teria feito uma ameaça. “Se você não ficar comigo, não será de ninguém”. Ela diz que apesar da ameaça, a camareira não acreditava que ele a cumprisse e continuou levando o filho para o pai ver.
O último encontro foi no dia 7 deste mês. Tatiana teria recebido um telefonema do ex-companheiro, dizendo que gostaria de ficar com o menino no feriado da Independência e levou o filho à casa do pai, na Quadra 605 do Recanto das Emas, mas pediu a uma amiga do casal para acompanhá-la.
As duas teriam passado o dia na casa dele e, no início da noite, a amiga foi embora. O pedreiro teria convencido a ex-companheira a permanecer lá com o filho, até o dia seguinte. Mas o que poderia ser uma noite de entendimento, transformou-se em tragédia. O casal teria discutido e testemunhas contaram ter ouvido agressões. Em seguida, ele teria colocado um volume muito grande no porta-malas do carro, um Kia Sephia.
Depois de 19 dias, o corpo dela foi encontrado. O delegado chefe, Alexandre Nogueira, suspeita que a mulher foi asfixiada antes de ser queimada, mas só o laudo cadavérico comprovará a causa da morte.
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