A sede da Caixa Econômica Federal (CEF), no Setor de Autarquias Sul, foi cenário de protesto organizado por empregados, construtores e inscritos no programa Minha Casa, Minha Vida, do Ministério das Cidades. De acordo com os manifestantes, a CEF vem impondo novas regras à construção de residências populares depois que as obras já estão concluídas, tornando impossível a entrega das moradias.
Uma das cobranças do banco público, afirmam construtores, é a implementação de pavimentos e lajes nos condomínios, o que, segundo eles, é impossível depois de as edificações estarem prontas. Com o embargo, outro problema vem à tona: o desemprego de quase cem mil trabalhadores da construção civil.
Ao todo, mais de 300 pessoas participaram do protesto, que reuniu moradores da Região Metropolitana do DF, como Águas Lindas, Luziânia, Novo Gama e Planaltina. Entre eles Gustavo Peixoto, 26 anos, que tinha planos de se casar e conseguir levar a família para a nova casa, em Águas Lindas, ainda este ano.
“A Caixa já sacou meu Fundo de Garantia. Eram R$ 6 mil que eu tinha, pensando no meu futuro, no futuro com a minha mulher. Me sinto completamente lesado. Meus documentos, o contrato, tudo já foi encaminhado. Aí, agora, dizem que vão devolver meu contrato. Que brincadeira é essa com o povo?”, questiona.
Infraestrutura
Apesar de reclamarem das novas exigências, construtores e donos de imobiliárias concordam com as mudanças. Para eles, o problema é mesmo a questão dos prazos para adaptação das obras. Em Águas Lindas, por exemplo, a 40 quilômetros do DF, pouco mais de 30% das ruas tem asfalto, e “grande parte das casas que estão sendo construídas fica justamente na periferia, onde a pavimentação demora muito mais a chegar”, explica Marcus Pina, construtor de Águas Lindas. A Caixa determinou que todos os imóveis têm de ter asfalto na porta. Caso contrário, não libera crédito.
Durante a manifestação, um grupo reuniu-se com a diretoria da Caixa para tentar resolver o impasse. A expectativa era de que o banco atendesse aos pedidos. Agora, eles esperam que a CEF diminua as exigências e ofereça novos prazos. “Essa barreira é um efeito dominó. Porque os empregados gastam o dinheiro que recebem no comércio onde vivem”, argumenta Rubiano Nogueira, motorista de uma construtora.