Raimundo Borges, cost 43 anos, medicine sai de casa às 7h para trabalhar. De tênis e bermuda, information pills ele se
prepara para percorrer o caminho do Recanto das Emas ao Posto Fiscal Engenho das Lajes, onde trabalha, próximo às Sete Curvas, em Goiânia. O percurso de 35 quilômetros é percorrido quase todo de bicicleta, hábito que o policial militar adotou há um mês. O motivo da troca do automóvel pela bicicleta, além de economia, é a saúde. “Meu preparo físico estava muito ruim; eu era sedentário. Agora me sinto bem melhor”, afirma Borges.
O PM demora cerca de duas horas para ser concluir o trecho, na ida; e três horas, na volta. O caminho que Raimundo faz passa por dentro da Quadra 116 no Recanto das Emas. Em seguida, ele pega um atalho para chegar mais rápido à BR-060, passando por uma estrada de terra com
cerca de 1,5 quilômetro de extensão. A descida até dá para ir de bicicleta, mas a subida tem que ser a pé. “Como tem muito buraco na estrada e a subida é íngreme, pego a bicicleta e vou empurrando, a pé”, explica Borges, que anda um percurso de 4 quilômetros até a BR-060, onde segue pelo acostamento até o Posto Fiscal.
Tempo e economia
O tempo, segundo o ciclista, é mais ou menos o mesmo que ele gastaria de ônibus. “Teria de pegar três ônibus todos os dias para chegar ao trabalho. De bicicleta, o tempo é o mesmo e ainda economizo”, explica. A volta, mais demorada, tem explicação: são mais subidas do que
descidas no trajeto e isso retarda a volta para casa em uma hora.
Pedalar pela BR não representa perigo para Raimundo. O policial usa colete sinalizador e presta bastante atenção no tráfego de veículos. A rodovia, diz ele, é segura e os motoristas respeitam o acostamento. “Nunca tive problema nenhum no caminho”, afirma.
Recomendações
Esse respeito entre ciclistas e motoristas é essencial para o trânsito fluir bem. De acordo com o especialista em trânsito e professor de pós-graduação em Transportes da Universidade de Brasília (UnB), Paulo César Marques os motoristas têm de ter consciência da presença de outros veículos na pista. “Lugar de ciclista andar é na rua, dividindo as faixas com os veículos motorizados. Mas isso tem que ser feito com segurança”, afirma Marques.
A construção de ciclovias seria uma boa opção para melhorar a segurança em algumas vias do Distrito Federal. Para o professor da UnB, a topografia do DF é boa para ciclovias porque o terreno em geral é plano, sem muitas subidas ou descidas. “Aqui é mais fácil se locomover por esse meio de transporte. A dependência do carro é muito grande. O Governo tem mesmo de criar condições para o ciclista”.
Segundo Paulo César, para evitar acidentes nas pistas é necessário que o ciclista veja e seja visto. “Ele tem de andar junto ao meio-fio, usar roupas com cores claras ou fortes, espelho
do lado esquerdo e material reflexivo. Capacete também é recomendável”, explica Marques.
As regras para pedalar em segurança estão no Código de Trânsito Brasileiro, que fala sobre a distância entre o carro e a bicicleta, que deve ser de pelo menos 1,5m, por exemplo, entre utras normas.
200 km de ciclovias em 2010
Substituição de carros por bicicletas seria uma boa opção para desafogar o trânsito caótico das cidades. O gerente de Projetos Estruturais do GDF, Leonardo Firme, aposta na construção de ciclovias como um meio de incentivar o uso de bicicletas. “A construção das ciclovias será um fator importante porque vai cobrir as pequenas distâncias. Vamos integrar a bicicleta ao transporte público, construindo bicicletários nos terminais de ônibus e estações de metrô para facilitar a locomoção em grandes distâncias”, explica Firme.
E as melhorias, segundo ele, também refletem no meio ambiente. “É melhor para diminuir a poluição atmosférica, acabar com os congestionamentos”, explica o gerente. Mas não é em todo lugar que as ciclovias são necessárias. Paulo César Marques explica que, quando a velocidade
da via não é alta, não é necessário ter uma via só para ciclistas. A ciclovia é aconselhável quando não há segurança na pista.
O projeto ideal
Para incentivar o uso de bicicleta, o Governo do Distrito Federal criou o Programa Pedala-DF, com intenções de ser o maior cicloviário brasileiro. A meta é construir, até 2010, uma 200 quilômetros de ciclovias. Hoje, com modestos 42 quilômetros de malha cicloviária, o DF possui a terceira maior do País, perdendo apenas para o Rio de Janeiro, com 100 quilômetros, e Aracaju, com cerca de 60, segundo dados oficiais.
Quatro Regiões Administrativas do Distrito Federal já possuem ciclovias, que foram construídas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER/DF).
A primeira ciclovia, com 12,1 quilômetros, foi inaugurada em 26 de outubro de 2006. Ela fica na
DF-005, que liga o Varjão e o Paranoá ao Lago Norte e recebeu até uma escultura chamada “Ciclovida”, por ser a primeira pista para ciclistas sinalizada de Brasília.
Uma das vantagens desta ciclovia é que ela atende a demanda de trabalhadores e estudantes da região, que trocam o carro e o ônibus pela bicicleta, diariamente.
Depois da Ciclovida foi a vez da alternativa para São Sebastião que liga a cidade com o Jardim
Botânico. Foi inaugurada em 19 de abril de 2007. No dia seguinte, Itapoã recebeu a sua ciclovia. Samambaia também conta com esta opção, fruto de um projeto integrado com as estações do Metrô que foi liberada aos usuários em 17 de maio de 2007.
Lago Sul
Os ciclistas que usam o caminho entre a Barragem do Paranoá ao Posto da Polícia, no Lago Sul, já podem comemorar. Ganharam ontem 1,5 quilômetro de ciclovia com duas faixas. O Lago Sul e o Lago Norte já estão sendo contemplados há algum tempo com outras pistas exclusivas para bicicletas.
As mais recentes começaram a ser construídas em fevereiro. Essas rotas serão implantadas no acostamento das vias principais dos lagos, equipadas com sinalização.
O DER já está executando obras para a ciclovia que ligará Ceilândia a Samambaia, na DF-459, e a da DF-079, na Estrada Parque Vicente Pires (EPVP). A da Estrada Parque Guará (EPGU), com 3,9 quilômetros, também está em andamento, assim como a da Estrada Parque Taguatinga
Guará (EPTG), com 12quilômetros, entre outras.
| |
| A bicicleta teve seu nome inserido na história por volta de 1790, quando o Conde Sivrac, da França, desenvolveu o celerífero Por volta de 1816, o alemão Karl Friedrich von Sauerbronn adaptou uma direção ao celerífero que passou a ser denominada de guidão (guidon, em francês). Que aciona as atuais e modernas bicicletas A prefeitura de Paris criou, em 1862, caminhos especiais nos parques para os velocípedes não se misturarem com as charretes e carroças, dando origem às primeiras ciclovias |
VOCÊ, LEITOR!
Deixaria de dirigir seu carro para andar de bicicleta? Comente!