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Brasília

Conscientização sobre esquizofrenia reforça diagnóstico e combate estigma

Data chama atenção para diagnóstico precoce, tratamento contínuo e redução do preconceito em torno da doença.

Redação Jornal de Brasília

25/05/2026 18h34

caps recebe pacientes come squizofrenia foto jhonatan cantarelle agência saúde df

Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Estudos recentes apontam que cerca de meio milhão de brasileiros adultos vivem com esquizofrenia, doença mental que afeta a forma como a pessoa pensa, sente e interpreta a realidade. Instituído pela Lei 14.860, o Dia Nacional de Conscientização sobre Esquizofrenia, comemorado domingo (24), destaca a importância do diagnóstico precoce, do tratamento contínuo e da quebra de preconceitos.

A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica crônica que exige cuidado ao longo da vida. Segundo o médico e referência técnica distrital em psiquiatria da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Thiago Blanco, a enfermidade causa hiperestimulação da atividade dos neurônios, o que leva a uma atividade cerebral aumentada. Durante as crises, o paciente pode viver sob ameaça persistente, por meio da interpretação equivocada da realidade ou de alucinações auditivas.

Blanco afirma que o imaginário popular muitas vezes associa a doença à imprevisibilidade e à violência, mas que esse estigma não corresponde à realidade da maioria dos casos. Segundo ele, pessoas com esquizofrenia tendem a ser mais retraídas, introspectivas e a experimentar angústia persistente relacionada, em grande parte, a crenças conspiratórias que provocam sensação permanente de ameaça.

O diagnóstico é feito com base em critérios clínicos, a partir de observação, diálogo e vínculo com o paciente. Em alguns casos, exames podem ser úteis para descartar outras causas de alucinações e delírios. Um dos principais desafios do tratamento é a dificuldade de a própria pessoa reconhecer os sintomas, já que a doença pode impedir a percepção da irrealidade das crenças.

De acordo com o especialista, esse obstáculo é enfrentado com apoio da família e de profissionais de saúde em equipes multidisciplinares. O tratamento inclui medicamentos antipsicóticos, treino de habilidades cognitivas e sociais, fortalecimento da rede de apoio familiar e comunitária, psicoterapia e educação em saúde.

Na rede pública, equipes multiprofissionais das unidades básicas de saúde (UBSs) e dos centros de atenção psicossocial (Caps) atuam de forma conjunta. Psicólogos ajudam no convívio e na adesão ao tratamento; assistentes sociais auxiliam na garantia de direitos; nutricionistas cuidam da alimentação; e enfermeiros acompanham o dia a dia e o monitoramento. Blanco destaca que o Caps é voltado aos momentos de crise, e que, após a melhora, o acompanhamento pode seguir na UBS.

Na data de conscientização, o médico também reforçou que pessoas com esquizofrenia podem conviver em sociedade, trabalhar e manter vida social, com os desafios próprios de uma doença crônica. Para ele, reduzir o preconceito é fundamental para mudar a forma como a doença é vista e fortalecer o cuidado.

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