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Brasília

Conheça Mônica de Mesquita Miranda, primeira comandante-geral da CBMDF

A titular promete focar na saúde mental da corporação

Mayra Dias

05/01/2023 18h35

Imagem: Mayra Dias/Jornal de Brasília

“Foi um presente. Uma honra. Quase finalizando meu tempo de serviço, quase 30 anos, assumir o comando geral da corporação e ser a primeira comandante geral não só do DF mas de todo o país é uma dádiva”, compartilha Mônica de Mesquita Miranda. Na manhã desta quarta-feira (4) saiu no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) a mudança na chefia da corporação do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF). O governador Ibaneis Rocha (MDB) trocou o comando-geral tirando o coronel Alan Alexandre Araújo e colocando a coronel Mônica. Ela é a primeira mulher a assumir a função como titular, segundo a corporação.

Mônica atuava na Casa Militar do Governo do Distrito Federal (GDF) desde novembro de 2020. A nova comandante-geral do CBMDF é oficial do Quadro de Combatentes do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, foi nomeada ouvidora da Casa Militar além de ser bacharel em psicologia. “É um momento muito sublime e muito importante na minha vida. Além de ser uma alegria imensa, é uma responsabilidade muito grande também”, exclamou. “Ingressei aqui muito antes do quadro feminino. Fui estagiária de psicologia aqui”, acrescentou a comandante. “Tive um professor que dava aula para o Curso de Formação de Oficiais, o CFO e, conversando com ele, consegui dar aula na Academia de Bombeiros Militar para os cadetes”, relembra. Em 1991 ela voltou para a corporação como estagiária para cumprir carga obrigatória da faculdade.

Em 1992, ano em que se formou, um colega da faculdade que trabalhava na secretaria de segurança, lhe avisou que haveria um concurso para os bombeiros, e a incentivou a fazer. “Fiz de forma despretensiosa. Eram apenas 3 vagas. Mas, mesmo assim, foquei nos estudos e passei”, disse. “Foi uma alegria imensa. Meu pai estava de férias e ele quem recebeu a notícia da aprovação”, continuou Mônica.

“Eu saí da psicologia mas a psicologia não saiu de mim”

Ela ingressou na academia aos 23 anos. “Foi primeiro um rompimento. Já vinha de um nível superior e na época era obrigatório pro CFO o ensino médio, então tive que voltar e fui a mais velha da turma. Tive que interagir e voltar a conviver com alunos de final de ensino médio. Mas foi muito legal”, rememora a titular. De acordo com ela, que se formou aos 25 anos e casou com um homem também da corporação, na época, por uma questão administrativa, ela se afastou da atividade operacional, “Como existe uma necessidade na sessão de psicologia, a minha primeira atividade na corporação foi ser chefe da sessão de psicologia da Academia de Bombeiros Militar”, conta. “Depois disso retornei como aspirante para a Academia, fui para o Centro de Assistência e, nesse período, atuei como psicóloga”, pondera.

Mônica conta ainda que na época, já havia uma preocupação com a saúde mental dos servidores e só havia ela e mais uma psicóloga trabalhando na área. “Depois de um tempo, com tudo ‘estruturadinho’, eu fui para a tropa”, diz. “Fiquei no 1 Batalhão, depois voltei para a Academia, tive filha, fiz curso de perícia, sou perita em incêndio. Inclusive, fui pioneira em perícia”, conta, satisfeita. Oscilando entre atividades operacionais e atividades administrativas, Mônica diz que fez os cursos obrigatórios para a corporação e, nos últimos 6 anos, assim que terminou os cursos, ela foi para o Centro de Assistência da corporação. “Lá foi um dos momentos mais impactantes da minha carreira. Nós tivemos um suicídio de um militar e, na época, anos depois de eu ir para o Centro de Assistência, perguntei se havia algum procedimento ou protocolo para lidar com a situação e, assim, tive que recorrer aos meus aprendizados da faculdade”, compartilha. Ela conta que precisou de muita maturidade profissional e pessoal e decidiu que deixaria seu legado com relação à saúde mental.

Ela conta que sempre continuou, mesmo com momentos distintos na carreira, a ter contato com a psicologia. “Voltei para o Centro de Assistência e começamos a fazer o primeiro Fórum dos Comandantes Operacionais, uma parceria que fizemos com o Centro de Assistência do Comando Operacional, e a gente pôde conversar com os comandantes sobre saúde mental”, pontua. Ela saiu do Centro de Assistência, foi para o Estado Maior e ficou na sessão de Recursos Humanos, onde foi homenageada e premiada. “Falo que foi um dos momentos felizes da minha carreira. Nós fizemos a primeira jornada de saúde mental, em 2018. Foi um marco para a corporação, pois não se falava disso”.

A partir disso, ela foi perita, foi diretora e depois foi trabalhar com os veteranos, órfãos e viúvas. “Foi onde tive que utilizar muito dos meus conhecimentos da psicologia, não só para sentar, acolher e fazer um trabalho humanitário, mas também recepcionar as pensionistas que perderam seu ente querido. Foi a forma que encontramos de trazer, nos momentos de tristeza, acolhimento”, ponderou. Foram 10 meses nesse trabalho.

Após isso, teve um momento em que ela teve que sair da corporação e conhecer o mundo lá fora. “Foram 28 anos institucional. Nisso, tive oportunidade de trabalhar na ouvidoria da Casa Militar, e depois eu tive a satisfação de trabalhar na Secretaria de Segurança Pública”, comenta. “Foram dois momentos significativos na minha carreira. Saí um pouco da ‘caixinha’ do CBMDF e vi que havia um mundo aqui fora”.

No ano de 2021 ela voltou como Coronel com a intenção de finalizar seu tempo de serviço na área. “Só que Deus me proporcionou uma dádiva muito grande. Não só estou voltando como sou comandante-geral, o que é um desafio. Representar toda essa população é uma alegria muito grande. É tudo muito intenso”, finaliza.

Ela promete dar o seu melhor nesse novo título. “Quero fazer jus ao cargo que ocupo. No caminhar desses 30 anos, a corporação foi aprimorando. Equipamos a corporação, trouxemos equipamentos de proteção individual, conseguimos viaturas de primeiro mundo e estamos em um processo de capacitação de excelência”. Hoje, ela promete tentar unificar o seu conhecimento de tropa com o da psicologia, “e meu olhar será para a questão da saúde mental, para a tropa. Equipamento você troca, viatura você troca, mas o humano não”, argumenta, garantindo qualidade de vida.

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