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Brasília

Congestionamentos viram rotina na vida dos brasilienses

Arquivo Geral

21/08/2011 9h23

Isa Stacciarini   
isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

Difícil encontrar quem  nunca ficou preso em um engarrafamento. As longas filas de carros e o trânsito lento estão se tornando rotineiros nas ruas do DF.  E não importa o horário. Com tantos veículos nas ruas, basta um carro quebrar na pista ou uma pequena colisão e tudo para. Um teste de paciência para os condutores de Brasília. Resultado: estresse, muitas vezes, já nas primeiras horas do dia.

As consequências do trânsito caótico são imediatas. Atrasos nos compromissos, falta de atenção,  baixa concentração e nervosismo,  que podem prejudicar inclusive o desempenho profissional. Os estudantes também sofrem as consequências: deficiência na aprendizagem, defasagem de notas, falta de atenção, dispersão durante a explicação e mau humor.

Pontos que direta ou indiretamente estão relacionados com o estresse vivenciado dia a dia no trânsito. Os problemas afetam também quem circula de ônibus. Neste caso, muitas vezes a viagem se prolonga e é preciso viajar de pé.

Além de perdas significativas na vida profissional, a pessoa também pode ficar abalada. Segundo a psicóloga de trânsito Sônia Paes, a partir do momento em que o indivíduo não consegue resolver os problemas na rua, ele acaba levando-os para dentro de casa, causando prejuízos familiares. “Ele não consegue mais conversar e ficar com as outras pessoas da casa, o que gera um péssimo relacionamento”, declara.

Explicações
De acordo com o professor de Psicologia Social e Psicologia de Trânsito da Universidade de Brasília (UnB) Hartmut Günther, a teoria da frustração é utilizada para explicar o nível de estresse dos motoristas que sempre lidam com engarrafamentos. Segundo o especialista, a frustração pode fazer com que o condutor se torne agressivo.

 
“Uma pessoa que precisa chegar a um local em determinada hora e não consegue por estar parado no trânsito começa a ficar nervosa e agitada”, explica. Para o professor, a situação pode provocar um tipo de agressão. “A irritabilidade gera o buzinaço e, consequentemente, leva ao estresse”, avalia.

Segundo a psicoterapeuta Sônia Paes, além da irritabilidade no ambiente de trabalho e na vida pessoal, o estresse também pode causar problemas de saúde. Entretanto, a especialista esclarece que a doença surge de acordo com o perfil de cada um. “Existem pessoas  que sentem dores de cabeça e no estômago, problemas renais e cansaço mental. Em outras  o estresse pode até se transformar em síndrome do pânico”, esclarece.

Estratégias
O professor Günther explica que há caminhos para aprender a lidar com os engarrafamentos. De acordo com o psicólogo, o primeiro passo é analisar todas as possibilidades, como alternativas de transporte e a possibilidade de optar por horários diversos em que o trânsito não esteja tão intenso.

“O condutor tem de avaliar se realmente precisa ir de carro ou não”, conta. Para o especialista, fugir dos horários de pico é uma boa estratégia. “Sair mais cedo ou mais tarde de casa e do trabalho também podem ajudar”, defende.

 
A psicóloga Sônia Paes também dá algumas dicas aos motoristas. “É necessário que o condutor busque formas de lidar com o trânsito. Procurar caminhos alternativos pode ser uma solução”, explica.

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