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Brasília

Comunidade do Novo Pinheirinho vive tensão de negociar permanência na área ocupada

Arquivo Geral

07/05/2012 18h30

A audiência de conciliação entre militantes do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) e do governo do Distrito Federal (GDF) para discutir a desocupação de uma área pública invadida na Ceilândia, cidade-satélite localizada a cerca de 30 quilômetros de Brasília, não amenizou a tensão no local. Auto-intitulada Ocupação Novo Pinheirinho, a comunidade de 1,3 mil moradores tem prazo judicial até 20 de maio para saída voluntária do local.

 

O prazo foi ampliado no último dia 5 pelo juiz titular da Vara do Meio Ambiente do Distrito Federal, Carlos Divino Vieira Rodrigues, após o prazo inicial oferecido para desocupação ter vencido no dia 4. Foi marcada, também, uma audiência de conciliação para o dia 15 de maio. A comunidade passou a ser chamada de Ocupação Novo Pinheirinho, “em solidariedade às famílias e à revolta ocorrida em São Paulo” segundo suas lideranças.

 

O coordenador do MTST, Renato Rocha, em entrevista à Agência Brasil, afirmou que enfrenta dificuldade de diálogo com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. “É difícil acreditar que o governo no qual a gente votou para nos representar esteja virando tanto as costas para a gente. Há dois anos estamos tentando negociar, desde que fizemos uma ocupação em Brazlândia”, disse o militante.

 

“Se nada acontecer na audiência do dia 15, vamos permanecer aqui. Que derrame sangue e que rolem cabeças. Estou disposto a morrer, mas pelo que é certo”, disse Renato Rocha. Ele lamenta que o governador esteja deixando de cumprir uma de suas principais promessas de campanha, a de “criar um programa habitacional decente”. E completa: “Nada foi feito. A gente gostava do Agnelo, mas ele está querendo destruir nossas famílias”.

 

Segundo o dirigente do MTST, as negociações acertadas com o GDF sequer foram mantidas. O problema, segundo ele, é que o GDF não cumpriu o prometido na época, que foi pagar seis meses de auxílio aluguel e, depois, colocar as famílias em um terreno provisório até que as casas definitivas fossem construídas.

 

“Com dois meses, nosso auxilio foi cortado. Tentamos retomar a negociação desde abril, porque as famílias nos cobraram isso, mas o GDF tem se recusado a negociar, dizendo que ninguém aqui tem perfil para ser atendido nem pelo Minha Casa Minha Vida nem pelo programa de habitação do GDF [Morar Bem]”, disse Rocha.

 

O coordenador do MTST argumenta que a prestação do Minha Casa Minha Vida, de R$390, “é muito alta” para os membros da comunidade, já que a maioria recebe apenas salário mínimo e tem outros gastos com a família. “Não queremos o terreno de graça. Queremos pagar por ele, mas um preço justo e dentro das nossas condições. E, ao contrário do que diz o GDF, queremos, sim, contribuir para o crescimento organizado da cidade”, completou o coordenador.

 

Consultada pela Agência Brasil, a Secretaria de Comunicação do GDF informou que, na época em que aconteceu a ocupação em Brazlândia, equipes foram enviadas para dialogar com as 300 famílias. Como resultado, todas foram cadastradas para o auxílio, mas apenas oito delas preenchiam os critérios do Minha Casa Minha Vida e do Morar Bem.

 

As demais, ainda segundo o GDF, não foram contempladas principalmente por terem renda maior do que a prevista pelo programa ou por possuir outros imóveis. Além disso, o GDF garante não ter prometido que o auxílio aluguel teria duração de seis meses, já que o máximo previsto para esse tipo de benefício é de apenas dois meses.

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