O setor de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas consolidou-se como o segundo maior empregador do Distrito Federal ao longo do período analisado pelo boletim Trabalho no Comércio do Distrito Federal 2024, elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A publicação analisa a evolução da ocupação no setor entre 2011 e 2024 e reúne indicadores como participação na estrutura ocupacional, remuneração, jornada de trabalho, formas de inserção e cobertura previdenciária. Os dados mostram que, em 2024, o comércio reunia 218 mil trabalhadores, o equivalente a 16,2% da população ocupada do Distrito Federal. No período analisado, a participação do setor na estrutura ocupacional caiu de 18,5% para 16,2%, enquanto o número total de pessoas ocupadas no DF cresceu 11,6%. Já o comércio registrou redução de 2,7% no contingente de ocupados, em um contexto marcado pela Reforma Trabalhista, pela pandemia de Covid-19 e por mudanças nos hábitos de consumo e no comportamento social.
O estudo também aponta alterações na composição interna do setor. O comércio de produtos alimentícios, bebidas e fumo, supermercados, hipermercados, comércio ambulante e feiras ampliou sua participação na ocupação do segmento, de 33,5% para 37,6%, entre 2011 e 2024. O comércio e reparação de veículos automotores e combustíveis também aumentou sua fatia, de 16,5% para 19,3%. Em contrapartida, houve redução na participação dos segmentos de tecidos, vestuário, calçados e artigos de viagem, além do comércio de produtos farmacêuticos, médicos, cosméticos e perfumaria e do conjunto de outras atividades comerciais.
Na análise das condições de trabalho, o boletim informa que os trabalhadores do comércio cumpriam, em média, jornada semanal de 45 horas em 2024, acima da média de 40 horas observada no conjunto dos ocupados do Distrito Federal. No mesmo ano, o rendimento médio mensal do setor foi de R$ 2.865. Entre 2011 e 2024, o rendimento médio real dos trabalhadores do comércio apresentou crescimento de 5,3%.
A publicação também mostra que a principal forma de inserção dos trabalhadores no setor segue sendo o emprego assalariado no setor privado. Em 2024, 68,6% dos ocupados no comércio estavam nessa condição, dos quais 58,3% tinham carteira de trabalho assinada. A cobertura previdenciária alcançou 78,6% dos trabalhadores do setor, percentual próximo ao observado para o conjunto dos ocupados do Distrito Federal.
Com informações do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF)