Francisco Dutra
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Rachaduras ameaçam os 200 anos de história da Paróquia São Sebastião, em Planaltina. Moradores estão indignados com a falta de cuidados com a igreja, consagrada como um dos patrimônios do Distrito Federal. Aos olhos populares, as paredes trincadas deixam evidente a necessidade de grandes reparo na edificação.
O Fundo de Desenvolvimento Urbano do Distrito Federal (Fundurb), criado para a proteção de áreas de interesse histórico, cultural e paisagístico, aprovou a liberação de R$ 516 mil para a recuperação. No entanto, o povo tem dúvidas quanto a aplicação correta dos recursos na paróquia. Segundo a Associação dos Amigos do Centro Histórico de Planaltina, o poder público teve a oportunidade de fazer a restauração no passado, mas em vez de preservar “maquiou” os problemas e fez alterações no patrimônio histórico. “Não vamos acreditar até a igreja realmente receber o restauro. E vamos fiscalizar”, declarou a presidente da associação, Simone dos Santos Macedo.
Ao lado da recuperação da estrutura, os moradores também buscam o retorno das características histórias da edificação, perdidas na obra anterior. Por exemplo, a paróquia possuia chão de madeira, mas foram colocados tijolos no lugar. De acordo com Simone, é preciso recuperar o passado com técnicas de taipa, aroeira, adobe e folha de ouro. A situação da estrutura também inspira cuidados. Sobre as rachaduras foram aplicadas camadas de gesso para monitorar o avanço da degradação do edifício. Teoricamente, se as falhas evoluírem, vão quebrar os locais engessados. Em uma rápida observação, é possível verificar que alguns pontos com gesso já estão com trincas.
A liberação da verba para a restauração da igreja partiu de um pedido da Secretaria de Cultura. Segundo a Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedhab), a paróquia é o mais importante ícone da arquitetura religiosa originária localizada no DF. Por isso, na perspectiva governista, a restauração da igreja não se trata do resgate de um bem histórico de Planaltina, mas de toda a capital do País.
Na memória popular, a igreja é um dos pontos de referência para o nascimento de Planaltina. O membro da associação Rodrigo Otávio Barbosa conta que há dois séculos a região era dividida por fazendas. Em meio a uma praga, fazendeiros fizeram uma promessa: ergueriam uma capela em nome de São Sebastião. Com proporções bem menores do que as atuais, a igreja foi construída. Tempos depois do fim da peste, a edificação ainda era palco de preces. E entre as idas e vindas de romarias e visitas, casas começaram a ser construídas nos arredores.