Menu
Brasília

Cirurgia sem bisturi

Arquivo Geral

26/08/2013 19h03

Eliminar tumores sem cortes ou dor para o paciente oncológico, que por algum motivo não possa se submeter à cirurgia convencional, já é realidade. A técnica de radiocirurgia, antes exclusiva para pacientes com tumores intracranianos, agora se estende à terapêutica de tumores do pulmão, fígado, pâncreas e vértebras. O processo, baseado nas mais recentes pesquisas da área, emprega tecnologia de última geração oferecendo a esse grupo uma outra possibilidade de tratamento. O procedimento começa a ser realizado pelo Centro de Oncologia da unidade de Brasília do Hospital Sírio-Libanês a partir de agosto, data que marca a inauguração da ala totalmente voltada a radioterapia.

 

“A modalidade substitui o bisturi por altas doses de radiação, dispensa internação, anestesia e incisões na pele. O tecido doente é atingido com o mais alto nível de precisão, provocando a morte da célula tumoral, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor. Em alguns casos é necessária apenas uma sessão. Percebemos um ganho que vai além da eliminação da doença, agregando qualidade de vida e independência dos pacientes. O processo é indolor e não apresenta a maioria dos efeitos colaterais das terapias convencionais. Desta forma as pessoas podem manter a maioria de suas atividades diárias” explica o Dr. Rafael Gadia, responsável pelo serviço de radioterapia da unidade de Brasília.

 

Anteriormente, a radiocirurgia era indicada apenas em tumores intracranianos, considerados estáticos. Nestes casos, os estudos comprovavam o controle da doença para metástases cerebrais em 95%. “A grande barreira era aplicar a técnica em tumores que não são estáticos, ou seja, que sofrem deslocamentos por causa da atividade cardiorrespiratória, como é o caso do câncer de pulmão. Afinal, qualquer imprecisão pode levar a radiação a atingir órgãos saudáveis e importantes que estão próximos à área que está sendo tratada. Mas esse cenário foi modificado. Atualmente aceleradores lineares (aparelho que aplica a radiação no paciente), altamente modernos, permitem ao médico realizar a radiocirurgia guiada por sistemas que monitoram o deslocamento do tumor. Então, se torna possível, aplicar a radiação de forma certeira, em altas doses, praticamente apenas no tecido doente, preservando ao máximo os tecidos vizinhos”, ressalta Dr. Rafael.

 

Ele completa ainda que no caso dos pacientes que tratam câncer no pulmão, o ganho com este procedimento é bastante significativo, pois os estudos apontam índices de 97% no controle do problema. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) revela que este ano devem surgir 4.000 casos novos da doença em estágio inicial.  Para o National Cancer Institute (NCI), órgão norte-americano, cerca de 20% dos casos de tumores no pulmão são inoperáveis pela cirurgia convencional.

 

Para o diretor técnico do Centro de Oncologia da unidade de Brasília do Sírio-Libanês, Gustavo Fernandes, a ação reforça a posição de vanguarda científica do HSL. “É pensando no paciente, na qualidade de vida, que buscamos sempre investir de forma pioneira em alta tecnologia e em pesquisas. Nosso objetivo maior é oferecer um tratamento global e cada vez mais eficaz”, explica.

 

A cirurgia planejada por imagem

 

Tecnicamente chamada de radioterapia esterotáxica corpórea (SBRT, sigla em inglês), a radiocirurgia fora do crânio se tornou possível com o advento da radioterapia guiada por imagem (IGRT, sigla em inglês). O IGRT, tomógrafo que acoplado ao acelerador linear, permite verificar, com precisão milimétrica, a localização das lesões a serem tratadas, mesmo durante sua movimentação. Isso garante acuidade máxima no tratamento.

 

As técnicas de IGRT utilizadas na unidade de Brasília do HSL são:

– Conebeam: tomografia acoplada ao acelerador linear;

– Portal eletrônico diário (EPID): imagens em duas dimensões digitais, adquiridas diariamente antes das aplicações;

 

Entenda a técnica:

 

·         Alguns dias antes da radiocirurgia, ou até horas antes da aplicação, o paciente passa pela tomografia 4D (que além de uma visão 3D, acrescenta uma perspectiva do movimento cardiorrespiratório do paciente. A quarta dimensão é uma espécie de linha do tempo) para avaliar o tumor e os órgãos próximos;

 

·         A partir desses dados, um software reconstrói a imagem do paciente, incluindo a localização precisa do tumor e dos órgãos ao redor e seu deslocamento durante a respiração.

·         A partir dessa imagem, o radioterapeuta e o físico definem o alvo de tratamento, calculam e planejam os melhores trajetos para os feixes de radiação atingir o tumor, evitando ao máximo atingir os órgãos ao redor.

·         A sessão dura cerca de 40 minutos e o tempo necessário entre uma sessão e outra é de no mínimo 48 horas.

 

De uma maneira geral, a radiocirurgia extracraniana é indicada apenas para aqueles pacientes que não têm condições clínicas de se submeter a uma cirurgia convencional, sendo limitada a tumores de até 5 centímetros de diâmetro. Mas Dr. Rafael explica que estão sendo realizados novos estudos que podem ampliar a atuação desta nova técnica.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado