Anderson Souza, especial para o Clicabrasília
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Faltando apenas dois meses para o fim do mandato do atual governador do Distrito Federal, Rogério Rosso, a promessa de que o Distrito Federal iria contar até o final do governo com 280 Km de malha cicloviária não sairá do papel. No dia 22 de setembro – Dia Mundial sem Carro – um compromisso foi firmado garantindo a realização de obras que iriam construir as vias para os ciclistas no Plano Piloto e em outras Regiões Administrativas em 2010.
Na última terça-feira (26/10) – Dia do Ciclista – não houve motivo de comemoração. Para o presidente da ONG Rodas da Paz, Ronaldo Alves, não motivos para confiar na promessa do governador. “Quando entramos em contato com o governo, eles sempre dizem que existe uma grande dificuldade de levantar recursos para a implantação”, lamenta Ronaldo. Ele recorda quando Rosso pedalou do Palácio do Buriti até o Museu da República – local onde assinou o Manifesto dos Ciclistas. “Engraçado que o governador vestiu a camisa da ONG, assinou o Manifesto, e ainda garantiu que o dinheiro para as construções – no valor de R$ 54 milhões – estava em mãos e que o projeto já iria começar o mais rápido possível”, recorda o presidente. “Mas, do jeito que as coisas estão, é provável que só no próximo governo as construções ocorram. Se ocorrerem”, conclui.
Outras prioridades
De acordo com o Governo do Distrito Federal (GDF), o projeto está sendo averiguado. Foi fechado um convênio entre a NOVACAP e a Secretaria de Obras. Porém, segundo a direção da empresa, a ordem para que a construção das malhas cicloviárias nunca foi emitida. A Secretaria de Obras afirma que as vias deverão demorar mais algum tempo, já que as verbas serão manejadas para outras prioridades.
Ronaldo ressalta que as construções das malhas cicloviárias não irão atender somente ao lazer, mas também à falta de estacionamento, à diminuição de congestionamentos – que ocorre também pelo sistema de transporte coletivo ser precário – e à poluição, além de gerar economia ao setor de bicicletas. “A segurança nas vias btambém iria aumentar muito com as ciclovias. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), o DF gasta R$ 46 milhões por ano com vítimas de acidentes de trânsito” afirma o presidente. “De janeiro até outubro deste ano, 24 das vítimas que morreram nas ruas do Distrito Federal foram ciclistas” aponta.
Para Luiz Borges, 23 anos, estudante de uma faculdade em Taguatinga, as ciclovias seriam de muita utilidade. “Eu mesmo costumava usar minha bicicleta para ir à faculdade, mas depois que quase fui atropelado desisti” lembra. “A disputa que temos com os carros é enorme e o risco também” afirma o estudante.
Esperança no próximo governo
“Espero que o próximo governador dê continuidade ao projeto, pois não acredito que aconteça no governo atual”, confessa o presidente da ONG Rodas da Paz. Ele diz ter conversado com o ex-governador Joaquim Roriz – antes mesmo de ter sido impugnado pela Lei da Ficha Limpa – e com o candidato Agnelo Queiroz sobre a construção dessas vias. “Roriz, apesar de ter nos ouvido, pareceu não ter dado muita bola. Por outro lado, Agnelo absolveu até em sua própria campanha eleitoral a nossa causa”, lembra.

Seguro em estacionamentos
Ronaldo também diz que o serviço de bicicletas de aluguel seria de grande importância. “Vários capitais de outros países já utilizam esse serviço – que seriam bicicletas disponíveis à população com uma taxa mais barata que o transporte público”, lembra o presidente. “Brasília é considerada um exemplo no trânsito, deveria utilizar este serviço há muito tempo”, frisa.
No dia 23 de setembro, após o Dia Mundial sem Carro, os servidores do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) que usam a bicicleta como meio de transporte, ganharam um bicicletário – estacionamento destinado a bicicletas.
Em São Paulo, já vigora Lei que garante o seguro para motos e bicicletas em estabelecimentos. Desde o dia 26 de setembro de 2010, estacionamentos de uso não residencial como shoppings, faculdades, supermercados e outros com mais de 50 vagas deverão possuir seguro contra roubo de motos e bicicletas – sendo que já existe uma lei que obriga áreas para estacionamento de bicicleta nesses locais. O projeto de autoria do vereador Chico Macena (PT) estabelece multa de R$ 1.000,00 por dia para os estabelecimentos que não possuírem o seguro. Ele também criou outros projetos como a Lei das Ciclovias, que cria o Dia Municipal Sem Carro. No mês de outubro deste ano, o vereador também apresentou um Projeto de Lei que cria o Museu da Bicicleta.
O que se ganha com as ciclovias:
» Opção segura e confortável de transporte por bicicleta
– Redução expressiva no número de acidentes com ciclistas.
» Forma alternativa de transporte, para a população de baixa renda, sem condições de utilizar carro, ônibus, microônibus ou Metrô
» Melhora na segurança geral no trânsito, com a redução do número de acidentes envolvendo ciclistas
» Queda na poluição atmosférica e na poluição sonora
-Melhoria da qualidade de vida.
» Criação de áreas de esporte e lazer
» Diminuição da necessidade de viagens motorizadas
» Redução dos impactos ambientais da mobilidade urbana
» Maior mobilidade às pessoas com deficiência e restrição de mobilidade
» Integração dos diversos modos de transportes