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Ciclistas e pedestres são donos da via por um dia

O passeio ciclístico vai se tornar um evento mensal promovido pelo Detran, a cada mês em uma região administrativa diferente

Foto: Tereza Neuberger/ Jornal de Brasília

Amanda Karolyne
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Uma atividade que inclui três pontos positivos: preservação do meio ambiente, diminuição do trânsito e uma vida mais saudável. Essa é a proposta por trás do passeio ciclístico promovido pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran) no Dia Mundial Sem Carro. Com a pandemia de covid-19, os meios de transporte sustentáveis cresceram.

Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana do Distrito Federal, a região atualmente possui a segunda maior malha cicloviária do país, com 586,50 km em 28 regiões administrativas. A previsão é de licitar. ainda em 2021, mais 130 quilômetros de novas rotas.

A comemoração do Dia Mundial Sem Carro é celebrada internacionalmente e surgiu na França, em 1997, com o objetivo de levar as pessoas a refletir sobre o uso excessivo de automóveis e estimular o uso de outras alternativas como a caminhada ou a bicicleta. Aqui no DF, o evento foi comemorado com a concentração no Museu da República, palestras e logo em seguida o passeio. Debates sobre orientação de segurança e a manutenção básica nas bicicletas dos inscritos aconteceram durante a concentração para o evento.

O passeio ciclístico vai se tornar um evento mensal promovido pelo Detran, a cada mês em uma região administrativa diferente.

Influências

De acordo com o Diretor de Educação de Trânsito do Detran, Marcelo Granja, com a pandemia e a diminuição do fluxo de carros na via, as pessoas começaram a optar por outros meios de deslocamento. E isso se reforça por meios de estudos como “Mobility Futures 2021: The Next Normal”, da consultoria Kantar, que concluiu que a rotina das pessoas se transformou até nos meios de transporte, colocando em evidência a mudança na mobilidade urbana.

Segundo a pesquisa, o uso de bicicletas e patinetes teve alta de 3% ao redor do planeta. A caminhada, por sua vez, ficou com 78 pontos de satisfação em 100. “O olhar para o veículo que ocupava as vias como se fosse o dono delas se transformou, e ainda com a questão do efeito estufa, aquecimento global e a o preço da gasolina, as opções de uso da via de outras formas ganhou força”, afirma o diretor Marcelo. Para ele, esse dia também é uma oportunidade de repensar o uso dos estacionamentos para outras atividades.

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O diretor comenta que o passeio ciclístico é mais uma forma de exercitar a campanha da Semana Nacional do Trânsito, cujo tema sugere uma atenção a como se portar nas vias em relação aos ciclistas e pedestres. Ele lembra que a distância recomendada de um carro para o ciclista nas vias é de 1,5 km. “O convite é para que o motorista veja os ciclistas e pense ‘por que eu também não pedalo?’”. Ao celebrar a data, ele afirma que é mais uma forma de se pensar em como melhorar a circulação e mobilidade urbana. “No passeio, a ideia é agregar a família no pedal curto no eixo, até para incentivar quem não tem o hábito. É um convite para que as pessoas tenham a experiência de pedalar na via pública”, completa.

“Brasília, até por ser plana, ter as vias retas e sinalizadas, e na maior parte do tempo sem chuva, é a cidade em que as pessoas se sentem mais seguras para circular. Ainda mais com as regiões integradas”, diz o diretor. Para ele, a Cidade Estrutural é um grande exemplo, em que um elevado número de pessoas usam as bicicletas como meio de transporte para o trabalho.

Na pandemia, o Detran-DF começou o projeto Bike em Dia, no qual são feitas palestras e manutenção das bicicletas nas regiões administrativas como um convite para as pessoas aderirem à atividade. “A ideia é incentivar esse deslocamento que não só ajuda a preservar o meio ambiente, como também movimenta os músculos e melhora a qualidade de vida”, aponta.

A estudante Gabriela Teixeira, de 18 anos, soube do passeio pelo instagram e participou com a família. Ela conta que na maioria das vezes opta pela bicicleta. “Porque além de diminuir a poluição, principalmente agora que está tudo caro, incentiva as pessoas a ter o uso consciente e uma maior tolerância no trânsito”, afirma. O pai dela, Eleomar Pereira de Souza, 54, aposentado, passou o amor por bicicleta que veio desde criança para os filhos, Gabriela e Miguel Teixeira, que assim que começaram a dar os primeiros passos, aprenderam também a pedalar.

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Também presente no evento, Claudio Santos, 50, policial militar, que anda de bicicleta por lazer e para treinar, contou que participou para dar força para campanha. “Senão fosse a farda, eu iria de bicicleta para o trabalho. Já até tentei, mas prefiro andar por lazer”.

Saiba Mais

  • A Secretaria de Transporte e Mobilidade tem incentivado cada vez mais a mobilidade ativa. Segundo o órgão, estão em andamento pistas para bicicletas em Arniqueira e no Itapoã.
  • Entre o Gama e a DF-003 (Epia) com 9,3 km, de 6,1 km entre o Eixo Monumental e a DF-085 (EPTG); de 14,8 km ao longo da Rodovia DF-140; de 4 km na Rodovia DF-001 (EPCT) e de 3 km na Rodovia Vicinal VC-361 (Gama).
  • O Setor de Indústrias de Ceilândia também receberá em breve pistas para ciclistas.
  • No Núcleo Rural Lamarão, localizado no Paranoá, foram inaugurados 4,8 km de ciclovia.








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