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Brasília

Chuvas aceleram a regeneração do Cerrado

Arquivo Geral

13/10/2010 10h45

As primeiras chuvas do período – que começaram no dia 28 de setembro – já foram suficientes para fazer brotar árvores, arbustos, flores e plantas no Distrito Federal. Tudo isso devido à grande capacidade de regeneração do cerrado, apesar do longo período de seca e da ocorrência de incêndios, como o que atingiu recentemente o Parque Nacional de Brasília. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBDF), 29.887 mil hectares do DF arderam em chamas, ao todo.

Para evitar a propagação de incêndios em 2011, o CB planeja implementar uma campanha de conscientização voltada para a educação ambiental da população. “Mais de 90% das ocorrências são causadas por ações criminosas ou de queimadas de lotes feitas pelo homem”, disse o major Marcos Antônio Apolônio, coordenador do Batalhão Florestal do CBDF. O órgão também está negociando a compra de dois aviões tanque com capacidade para transportar 3,1 mil litros de água. O objetivo é otimizar o trabalho de combate às queimadas.

Segundo o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), o Cerrado ocupa um percentual de 22% do território brasileiro e, no Planalto Central, se estende por dois milhões de quilômetros quadrados. A vegetação possui, como característica principal, a presença marcante de árvores de galhos tortuosos e de pequeno porte, raízes profundas, cascas de árvores duras e grossas, folhas cobertas de pêlos, entre outras variedades.

De acordo com Luiz Otávio França, assessor técnico da Superintendência de Gestão de Áreas Protegidas do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), a vegetação se adapta às variações de clima e, por isso, brota com facilidade. “O Cerrado tem características de alta resistência e grande poder de regeneração, inclusive, em condições climáticas como a seca. As raízes profundas permitem que a vegetação busque água e nutrientes no subsolo no período da seca”, detalhou.

Para Onildo Marine, chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Caatinga, do Instituto Chico Mendes (ICMBio), a vegetação do Cerrado não para de se desenvolver. “É um ambiente sazonal que conta com duas fases de reprodução. As sementes florescem na seca e crescem no período chuvoso”, explicou. Marine detalha que a vegetação é antiga e se adapta facilmente ao clima muito seco ou chuvoso. “Grande parte da vegetação resiste ao clima quente pela presença de cascas grossas que gera isolamento térmico. As espécies lenhosas como pequi, cagaita e barbatimão brotam mais rápido graças à resistência ao clima seco da capital”, detalhou.


Queimadas

Depois sofrer com as queimadas, os animais típicos do Cerrado também começaram a retornar ao seu habitat natural. Pássaros, tamanduás, tatus e cobras foram alguns dos bichos atingidos. De acordo com o major Apolônio, do CBDF, dependendo da área atingida, os animais ficam sem local de refúgio. “Alguns fogem para a área urbana e outros morrem por falta de alimento e água ou até atropelados”, explicou.

Para otimizar o combate aos incêndios na época da seca, o CBDF está negociando a compra de dois aviões tanque com capacidade para transportar 3,1 mil litros de água. Serão investidos 7,5 milhões na aquisição das duas aeronaves Tipo Air Tratktor 802S, fabricadas no Canadá. O primeiro equipamento estará à disposição da equipe já no final do ano. O segundo tem previsão para ser entregue até julho de 2011, antes do próximo período da seca.

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