Menu
Brasília

Chuva traz transtornos e muita destruição

Arquivo Geral

14/11/2013 7h00

Em apenas um dia choveu no Distrito Federal o equivalente a um terço do esperado para todo o mês de novembro. Foram 70 milímetros cúbicos nessa quarta-feira. O suficiente para deixar a cidade com excesso de problemas. Além da região central de Brasília e de Vicente Pires, que sofreram com alagamentos e asfalto arrancado, outras cidades também passaram apuros. No Pistão Norte, em Taguatinga, a placa de uma loja foi arrancada pela força do vento e caiu sobre os carros de entrega da própria empresa que estavam estacionados no local. 

 

No Sol Nascente, em Ceilândia, os transtornos diários foram agravados com a chuva. Moradores e comerciantes dizem que a água desce pelas ruas e leva tudo o que tem pela frente. Como não há sistema de águas pluviais e um local específico para o depósito de lixo na região, os moradores descartam o entulho em um canteiro localizado entre as principais vias comerciais. Resultado: Quando chove, as ruas viram um verdadeiro rio de lixo. 

 

O comerciante Antônio José Brito, 43 anos, diz que as autoridades não tomam providências. “Nós pagamos IPTU, mas não temos infraestrutura. A administração vive dizendo que essa área é de risco e não toma providências. Não temos sistema de escoamento de água nem coleta de lixo. Como as ruas não são asfaltadas quando chove fica a pura lama”, reclama. 

 

A Administração Regional de Ceilândia não se manifestou sobre um prazo para o início das obras do sistema de águas pluviais e implementação do serviço de coleta de lixo na região do Sol Nascente até o fechamento desta edição.

 

Queda de marquise

 

No Plano Piloto os estragos não foram menos significativos. A Escola Classe da 108 Sul ficou completamente alagada. Uma via pública também ficou encoberta pela água entre o Estádio Nacional e o Cine Drive In. 

 

Na 412 Sul, a Defesa Civil registrou a queda da marquise de uma imobiliária sobre um toldo de um salão de beleza, interditando os dois estabelecimentos. “A água do vizinho estava sendo despejada em cima do telhado que não suportou a pressão e cedeu. Com a queda, o toldo da minha loja foi atingido. Como a estrutura pode ter ficado abalada, a Defesa Civil decidiu isolar a área preventivamente. Mas já está tudo certo. Fizemos um acordo com a imobiliária que concordou em arcar com os custos da reforma”, conta o proprietário do salão de beleza, o barbeiro Sérgio Lamenza.

 

36% de voos domésticos sofrem atraso

 

O trânsito ficou ruim em vários pontos do Distrito Federal. O principal motivo foi a queda de energia que deixou os sinais intermitentes. A Companhia Energética de Brasília (CEB) explicou que o problema foi ocasionada pelo desligamento automático da subestação de Samambaia Sul, mas que menos de uma hora depois tudo já estava resolvido.  

 

A forte chuva que atingiu Brasília ontem não atrapalhou somente quem estava pelas ruas da cidade. Pessoas que precisavam sair ou chegar de avião também passaram por transtornos. Segundo a Inframérica, empresa que administra o Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek, aproximadamente 36% dos voos domésticos apresentaram atrasos em função das más condições climáticas pela manhã. As operações chegaram a ser feitas pelo modo instrumental das 8h40 às 11h37. Não houve queda de energia no local. 

 

Chuva continua

 

A previsão para os próximos dias não é muito animadora. Segundo a Clima Tempo, empresa de meteorologia, a chuva deve continuar em Brasília. A previsão para hoje é de forte nebulosidade e alto risco de temporal. À tarde, a chuva deve ser intensa e não está descartado o risco de descargas elétricas e queda de granizo. A temperatura mínima é de 18ºC e a máxima não deve passar de 28° C nas horas mais quentes do dia. 

 

Sem luz, muitos prejuízos  

 

Entre os muitos transtornos causados pela forte chuva, um dos que mais incomodaram a população do DF foram as constantes quedas de energia em vários pontos da cidade. Com a greve da CEB, iniciada no último dia 4, a situação se complica ainda mais. Até a noite de ontem, a companhia tinha 3.474 chamados em aberto. Mas para algumas pessoas, que precisam da energia elétrica para garantir a sobrevivência, o cenário é crítico. 

 


É o caso da moradora do Cruzeiro Velho, Oswaldina Salermo Vieira, 92 anos. “Ela depende de uma aparelhagem para viver, um máquina de oxigênio, e como passa o dia deitada dorme em um colchão elétrico para evitar o aparecimento de feridas”, relata a neta Janaína Vieira. 

 

Segundo Janaína, com as quedas de energia provocadas pela chuva, a aflição tem sido companheira da família. “É um caos. De um lado, ficamos apreensivos com medo do que pode acontecer. De outro, ela tem medo do escuro e fica agitada. A situação é desesperadora”, conta.

 

Como a idosa se encaixa nos casos definidos como emergenciais pela CEB, o atendimento é prioritário. Mas na prática isso não garante rapidez. “O atendimento é demorado. Esperei uma hora na linha para registrar a reclamação. E somente duas horas depois a solicitação foi, enfim, atendida”, reclama.

 

Trabalho prejudicado

 

O gerente de uma pastelaria no Cruzeiro Velho, Eduardo Edson, 31 anos, relata que os efeitos negativos da falta de energia são muitos. “Atrasamos por quase três horas a abertura da loja, por exemplo”, disse. Segundo Eduardo, a preocupação em perder os produtos perecíveis é grande. “Se isso continuar se repetindo, será inevitável perder o estoque. Nossos produtos precisam estar congelados”, explicou.

 

Na 109 Norte, o cenário era desolador. A creperia de Madalena Rodrigues, 61 anos, ficou  12 horas sem energia. “Foi desde às 8h. Caiu a tempestade, a luz acabou e não voltou. Com a greve da CEB, a gente sofreu”, comentou a comerciante.

 

Para evitar prejuízos, ela tirou os produtos da geladeira da loja. Já a servidora pública Regina Maria Santana, 50 anos, moradora do Cruzeiro Velho, teve que cancelar compromissos. “Não poderia sair de casa com a roupa amassada. A falta de luz é frequente. Já cheguei a ficar 24 horas sem energia.”

 

Sindicato 

 

O diretor do Sindicato dos Urbanitários do DF Jeová Oliveira explicou que a prestação dos serviços está sendo mantida e que o número alto de ocorrências paradas pode ser justificado. “Não está sendo feito um balanço. Não dá para saber o que foi resolvido e o que não foi”, constata. Ele diz que a demora é previsível. “O problema é o numero de trabalhadores. Independentemente da greve esse atraso acontece”, assegura.

 

Tensão e desespero no metrô

 

A falta de energia elétrica causou tensão também no metrô. O problema teve início com a queda de energia que atingiu o  sistema de transporte, às 8h40, e deixou passageiros presos 30 minutos nos vagões. Por fim, eles deixaram o trem e caminharam até a próxima estação, na 108 Sul. 

 

O trajeto foi feito no escuro. Mesmo com o corpo de resgate do metrô, usuários se sentiram mal e o Corpo de Bombeiros e o Samu foram acionados. Os atendimentos foram feitos na própria estação.  

 

Na Estação Arniqueiras, em Águas Claras, a partir das 8h30, funcionários informavam aos usuários que “por falta de energia, as atividades estavam paralisadas por tempo indeterminado”. Não houve tumulto. 

 

Com a falha de um dos principais meios de transporte para quem não tem ou não usa carro em Águas Claras, muita gente perdeu compromissos. O autônomo José Mendes, por exemplo, deveria estar em uma reunião na Asa Sul logo pela manhã. “Não é a primeira vez que me atraso por causa do Metrô”, reclamou. Os trens só voltaram a funcionar normalmente após às 9h30.

 

Saiba mais

 

A categoria reivindica equiparação do piso salarial com o da Eletrobras, abono de R$ 8,5 mil e implantação do benefício de risco aos trabalhadores vítimas de acidentes, que venham se afastar do trabalho por mais de 15 dias. Além, também, do ganho real e manutenção e ampliação das conquistas.

 

Versão oficial

 

Por meio de nota, a CEB relatou que na manhã de ontem foram registrados 2.847 serviços com atendimentos atrasados. Segundo o órgão, os maiores tempos de espera chegam a 145 horas. O tempo médio de espera é de 16 horas. Cruzeiro, SIA, Setor de Oficinas Norte e SMU ficaram sem luz a partir das 8h. Às 8h25, segundo a CEB, a linha de distribuição da subestação Samambaia Sul se desligou, causando queda de energia em Águas Claras e Park Way. A informação foi desmentida pela Furnas, que por meio de nota, esclareceu que não foi registrado problema no sistema da empresa que atende à região do DF na manhã de ontem. As subestações de Samambaia e Brasília Sul, assim como todas as outras instalações da empresa que alimentam o DF, funcionaram perfeitamente e não foram responsáveis pela interrupção no fornecimento de energia registrado na capital federal.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado