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Brasília

Chegou, enfim, a hora de descobrir o Brasil

Arquivo Geral

15/11/2013 9h02

 Com a aproximação das festas de final de ano, os brasilienses que pretendem aproveitar os dias de folga longe da capital federal já começaram a fazer o seu planejamento para as festas de Natal ou Rèveillon. Entretanto, desta vez, eles não pretendem ir muito longe. 

 

A Associação Brasileira de Agências de Viagens do Distrito Federal (Abav-DF) divulgou que a procura por pacotes para viagens ao exterior sofreu uma retração com a recente alta da moeda americana, o dólar. 

 

O comportamento dos viajantes brasilienses também é refletido em uma pesquisa nacional, recentemente divulgada pelo Ministério do Turismo. Segundo o órgão, quase 75% dos brasileiros (três em cada quatro) também escolheram fazer viagens nacionais nos próximos meses.

 

Apesar da queda no número de viagens internacionais, a Abav garante não terem sido registradas desistências no DF por causa da alta do dólar. “Estávamos com uma demanda muito boa de viagens para o exterior, mas com o dólar mais caro, desta vez não houve procura tão significativa, mas, também, não tivemos desistência daqueles que já vinham planejando a viagem há algum tempo”, destaca Carlos Vieira, presidente da associação. Segundo ele, esses clientes procuraram conciliar a viagem de férias escolhendo destinos com o preço mais em conta. 

 

Procura

 

Para fazer jus aos dizeres de que viajar está entre as prioridades do  brasileiro, no Distrito Federal, a procura por pacotes de viagens começou ainda no mês de julho deste ano. Muitos dos consumidores aproveitaram a antecipação das vendas dos pacotes para conseguir vantagens em promoções. 

 

“Em função da tecnologia, ficou fácil para as agências soltar pacotes de férias e Rèveillon com meses de antecedência. Isso é vantajoso para o consumidor, pois dá a chance de eles pegarem boas ofertas e tarifas mais baixas. É que, com a alta temporada, a tendência é que os preços fiquem na estratosfera”, destaca.

 

Justamente o caso das amigas Thaís Mafra, 23 anos, e Marcela Gertrudes, 24. Elas vão viajar, em 26 de dezembro, para Maceió (AL) com um grupo de 12 amigos. A viagem foi combinada desde agosto. E saiu a bons preços, graças à antecipação dos planos.

 

Saiba Mais

 

Os pacotes mais procurados pelos brasilienses são para cidades localizadas no litoral brasileiro, como Fortaleza, Rio de Janeiro, Maceió e Natal.

 

Outro tipo de viagem que está com bastante procura são os cruzeiros em navios que cortam a costa brasileiras, principalmente no Rio de Janeiro e Santos (SP).

 

Deixar para última hora é não curtir

 

Para os que deixam a programação das férias para a última hora, o risco de não ter a viagem dos sonhos tende a ser maior. “O cliente paga mais caro, fica sujeito a não ter o voo disponível para o dia que deseja, de não ter o assento da preferência, ou não encontrar vaga no hotel que atende a sua necessidade, ou de frente para o mar”, diz Carlos Vieira, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Distrito Federal (Abav-DF). E não basta só fazer reservas. “Muitos reservam, mas não garantem, ou seja, não efetuam o pagamento e ficam só na especulação”, diz Vieira. 

 

A operadora de telemarketing Andréa Regina Souza e Silva, 29 anos, e o filho José Carlos, 6, vão passar 15 dias no Piauí, no período do Natal, na casa da mãe de Andréa. A única certeza da família é que farão a viagem. Pouco foi planejado. Ela ainda não sabe se irá de carro, ônibus ou avião e não comprou as passagens. E conta que a dificuldade está na agenda da família. “Como tenho filho em idade escolar é incerto saber o dia das férias dele, porque não sei se vai tirar boas notas ou não. Também se vai coincidir com minhas férias e com a do meu marido”, justifica Andréa. 

 

Indefinição

 

Ela, porém, assume que sempre passa por perrengue na hora de ajeitar as férias. “No ano passado, não consegui pegar um ônibus direto para a minha cidade, então tive que pegar um outro que só iria até a metade do destino, e esse acabou quebrando. Como estava com meu filho e o ônibus demorou a ser substituído acabei dormindo naquela cidade para prosseguir somente no dia seguinte. Essas coisas chateiam. Ainda mais com crianças”, confessa a mãe de José Carlos.

 

Além de planejar,  outra dica é contratar um agente de viagem para ter férias mais tranquilas. “Esse profissional busca o melhor para o cliente. Depois disso, certifique-se com clareza do que tem sido oferecido no pacote, obtenha informações de todo o serviço, se tem seguro e pedir que o agente envie todo o pacote por e-mail, deixando claro sobre os prazos de cancelamento e as penalidades sofridas em caso de desistência”, ensina Carlos Vieira. 

 
 
Ponto de Vista
 
Rosângela Betania Prana, coordenadora do curso de Turismo no Centro Universitário Iesb, recomenda aos viajantes não deixar tudo para a última hora. Para ela, o hábito de fazer pesquisas é meio caminho andado para o sucesso da viagem e obter o menor número de imprevistos possível. “O ideal é começar a se planejar 60 ou 90 dias antes da viagem de férias. Hoje ficou muito fácil com o acesso a internet. Quem planeja pode garantir um pacote mais barato, negociar o preço e ter um leque maior nas opções”, menciona.   Para as viagens internacionais, a especialista indica que o viajante procure um agente de viagem de confiança. “Eles estão habilitados a orientar sobre leis e cultura daquele determinado país. Assim, a pessoa evita muitos transtornos. Um país muçulmano, por exemplo, tem regras sobre conduta, que muitos desconhecem”, explica. “Regras de como levar medicação, animal de estimação, quais as vacinas exigidas, entre outros pontos, devem ser cumpridas”, diz Rosângela.  Ela afirma ser um momento especial, essa descoberta dos brasileiros em relação ao país. Para ela, o turismo doméstico deve ser incentivado. “Nosso país passa por um excelente momento econômico. E isso tem aumentado a procura já que o Brasil tem investido em turismo. Temos um país de natureza exuberante. Há praia, ecoturismo, turismo de aventura. A gente ganha aqui e gasta aqui”, argumenta.
 
 
Todos preferem a praia


Com o objetivo de facilitar a escolha para a clientela, há agências que disponibilizam pacotes de turismo com até seis meses de antecedência. É o que sugere a agência Decolando Turismo. No local, a procura maior por viagens é para janeiro, tendência acompanhada pelo setor. “Começamos a vender em outubro pacotes para o Natal, Rèveillon e Carnaval. Geralmente, em dezembro, já vendemos o que tinha que vender”, diz o gerente Alfredo de Castro. Para se ter uma ideia da elevação dos preços, um mesmo pacote para Fortaleza de R$ 1.145,  em dezembro, antes do Natal, passa para R$ 2.029, em janeiro.
 
O litoral brasileiro continua sendo o campeão do turismo doméstico. “Isso acontece para aproveitar melhor o verão. Assim, as viagens para o exterior caem já que os países mais procurados estão no inverno, que não cabe muito no gosto do público”, ressalta.
 
Há, ainda, destinos no exterior que podem custar quase o mesmo preço de um nacional. Um pacote para Cancun, no México, por R$ 7 mil, é quase o mesmo preço de um para Maragogi, em Alagoas, que custa R$ 6.181. “No Brasil, os destinos mais caros são os resorts e os ecoturismos como Fernando de Noronha, Bonito (MS) e Lençóis Maranhenses, por conta do limite que as organizações de turismo propõem”, explica Alfredo.
 
Pagamento
 
As facilidades de pagamento têm atraído os consumidores. Há agências que dividem o pacote em até dez vezes sem juros. Na A.R Turismo, os cruzeiros para o Rèveillon começaram a serem lançados em agosto e setembro. “Os preferidos os do Rio de Janeiro e outro de São Paulo que vai até Buenos Aires, na Argentina”, assegura a agente de viagens e sócia Ana Luiza Mendes.
 
 
 

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