Uma das maiores cidades do DF, Taguatinga absorve a demanda por serviços públicos de outras regiões da capital, ainda mais carentes. No caso da saúde não é diferente. Mas quem procurar o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) pode se impressionar com o que encontrar pela frente: a superlotação, consequência do deficit de médicos. Mais de um ano após essa e outras constatações feitas por entidades como o Ministério Público e o Conselho Regional de Medicina, o quadro é semelhante. A reportagem de hoje faz parte de uma série do Jornal de Brasília sobre os maiores hospitais do DF e o atendimento oferecido.
Autoridades visitaram o HRT em 26 de abril de 2012, quando havia 111 pacientes internados no pronto-socorro, enquanto a capacidade é de 57. A inspeção encontrou pessoas recebendo tratamento em cadeiras, macas do Samu e do Corpo de Bombeiros, à espera de camas. Os leitos pediátricos foram diminuídos de 12 para apenas três, por conta da grande demanda de pacientes adultos.
O deficit de médicos era de 2.432 horas mensais de expediente, ou seja, 29 médicos com carga horária de 20 horas semanais. Clínica médica e cardiologia eram as especialidades com maior falta de profissionais. Aparelhos como monitores multiparâmetros, ventiladores mecânicos e oxímetros estavam em quantidade inferior à necessária.
A visita foi feita ainda por integrantes dos conselhos de Odontologia (CRO-DF), de Farmácia (CRF-DF), de Enfermagem (Coren-DF), e de Engenharia e Arquitetura (Crea-DF), Sindicato dos Médicos (Sindimédico) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF).
A ambulante Janete Pereira Pinto, 76 anos, está acompanhando a neta Rosilane, que sofreu um derrame, no HRT. Segundo ela, há muitos pacientes no pronto-socorro e foi necessário um “show”, como ela mesma disse, para que Rosilane fosse tratada melhor. “Ela está aqui há quatro dias e só recebeu alguns comprimidos de AAS. Agora que eu falei um monte eles a colocaram em uma cama, fizeram u raio X e tiraram sangue”, contou.
As experiências enfrentadas por outras pessoas também chocaram Janete. “Um senhor de 93 anos passou a noite toda em uma cadeira de rodas lá no pronto-socorro. Está cheio de gente dormindo no chão”, indigna-se.
Rapidez só em casos gravíssimos
Na avaliação dos pacientes, só quem chega em situação gravíssima é atendido com rapidez, como em casos de acidentes. O estado emergencial do carpinteiro Antônio Marcos de Jesus, 42 anos, fez com que o atendimento fosse rápido, segundo ele. Após a queda de moto. ele quebrou os braços. Antônio ficou cerca de duas horas no hospital. “Tinha bastante gente”, disse.
A diarista Maria Aparecida Araújo precisou procurar o HRT porque o posto de saúde fechou mais cedo, na semana passada, por conta do jogo da Seleção Brasileira. “Fui lá às 11h30 e me disseram que não tinha mais como entrar. Vou ter que gastar R$ 90 com esses remédios”, disse. Os medicamentos são para o filho, de três anos, que está há três meses com a garganta inflamada. Com a presença da reportagem no local, o remédio foi providenciado.