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Brasília

Cenário atual dos cemitérios do DF não agrada os visitantes

Arquivo Geral

01/11/2013 7h44

Com a aproximação do Dia de Finados, muitos familiares começam a ir aos cemitérios do DF para preparar os túmulos para as visitas, comuns em 2 de novembro. Muitos, porém, se decepcionam com a situação de abandono e descuido que encontram. Em dois locais visitados ontem pelo JBr., Brazlândia e Campo da Esperança, na Asa Sul, o cenário é melhor se comparado aos outros quatro visitados anteriormente, em Taguatinga, Gama, Sobradinho e Planaltina. Mas todos desagradam os visitantes.

 

Caminhando entre túmulos quebrados e cruzes soterradas na grama alta do cemitério de Brazlândia, Maria Machado, 67 anos, não encontrava a sepultura do irmão e reclamava do descuido com o jazigo do marido. “Na última vez que vim, a cúpula onde fica a foto do meu esposo estava quebrada, tive que pedir para trocarem. Eu pago pela manutenção e eles não fazem nada”, reclama. 

 

A auxiliar de educação  Iraci Ludovico de Sá, 58 anos, também achou que o cemitério de Brazlândia está ruim. “Vim há uns sete meses e nada mudou. Nem arrumaram para o feriado. Está tudo descuidado. Inclusive o túmulo do meu filho”, observou. 

 

Cansadas de não ver o cuidado com o local, muitas pessoas resolvem se responsabilizar pelo zelo com o túmulo do ente falecido. Essa foi a decisão de Oswaldo Viera de Rocha, 45 anos. “Eu e meu irmão preferimos vir aqui arrumar de vez em quando. Hoje vamos limpar, trocar algumas pedras, colocar uma grama nova e repintar a placa”, conta ele, que perdeu o pai há alguns anos. 

 

Como se não bastasse a preocupação em zelar pelo túmulo dos mortos, os visitantes também precisam se atentar aos vivos. “Eu venho pouco, porque tenho medo  de ladrão”, confessa Maria Francisca, que foi visitar o túmulo do marido acompanhada da filha, a professora Vanda Vargas. 

 

Responsabilidades

 

O cemitério da Asa Sul também desperta tristeza, não somente pelas 173,5 mil pessoas enterradas, mas também porque o local tem uma série de problemas. A terapeuta Elza Tambeline, 71 anos, foi cuidar do túmulo do filho, como faz com frequência, e reclamou: “Está sempre cheio de lama. E qualquer serviço que quero pedir é muito caro. Falta até água”, aponta. 

 

De acordo com a empresa Campo da Esperança, que administra os cemitérios, porém, não falta água em nenhuma das seis unidades do DF e   não é obrigação dela fornecer água à população para a limpeza das sepulturas. A empresa diz que é de responsabilidade dela a manutenção diária, o que inclui a irrigação, a adubação, limpeza das placas de identificação, o recolhimento do lixo e o corte da grama. 

 

A empresa diz também que só pode mexer nas sepulturas com autorização das famílias.

 

Fiscalização em favor do consumidor

 

Para se certificar de que os clientes não sejam prejudicados por contratos complicados ou preços abusivos de serviços extras e vendas casadas,  agentes da Procon fiscalizaram os seis principais cemitérios do Distrito Federal nesses últimos dias e estarão também auxiliando os visitantes amanhã. 

 

“Nesse primeiro momento fomos conversar com os administradores a respeito das irregularidades e infrações visíveis, como a venda casada, existência do Código de Defesa do Consumidor (CDC), de tabela de preço e do telefone 151 em local visível, informações sobre documentos exigidos para pagamento com cartões e existência do telefone e endereço do Procon-DF nas notas fiscais”, explica o diretor do órgão, Todi Moreno. “Quando se compra um jazigo, ele passa a ser um bem da família. Tem que haver todo um cuidado para que a pessoa não venha a pagar taxas desnecessárias e entenda o que está comprando”, conclui. 

 

Público


A expectativa é de que cerca de 600 mil pessoas visitem os seis cemitérios do Distrito Federal amanhã, Dia de Finados. 

 
 
Saiba Mais
 
No DF, há 401,3 mil pessoas sepultadas.
 
No cemitério de Brazlândia são 9,9 mil pessoas sepultadas. 
 
Seis funcionários da administradora Campo da Esperança cuidam do cemitério de Brazlândia. 
 
No Campo da Esperança, na Asa Sul, 44 funcionários são responsáveis pelo local.

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