Kamila Farias, com agências
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A igreja católica perdeu fiéis no DF entre 2000 e 2010, de acordo com o Censo Demográfico, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por outro lado, a população evangélica aumentou quase na mesma proporção. Em 2000, 66,2% da população do DF era formada por católicos, enquanto 19,5% dos habitantes eram evangélicos. Dez anos depois, os católicos somavam 56,6% e os evangélicos, 26,9%.
Segundo o professor de Filosofia da Religião da Universidade de Brasília Agnaldo Portugal, o aumento de número de evangélicos se tornou uma tendência no DF, devido à melhor adaptação da religião à sociedade. “O evangélico é mais dinâmico. Já o catolicismo é mais tradicional e burocrático. É mais fácil criar uma igreja evangélica do que uma católica”, compara.
Segundo ele, o catolicismo adaptou-se melhor ao meio rural. Mas houve o avanço rápido da urbanização a partir dos anos 1980. “Nessa época apareceram as igrejas neopetencostais, que estão voltadas para o mercado da fé, sabem ser rápidas e apresentam um produto bom para o consumidor. Mas elas têm muita noção de teologia da prosperidade e pouca da teologia em si”, diz.
O presidente da Aliança Evangélica de Brasília, José Carlos da Silva, confirma que as igrejas evangélicas são mais fáceis de adaptar. Mas afirma que existem diferentes tipos e, por isso, não se pode definir um padrão. Ele acredita que o aumento de fiéis se deu pelo surgimento de igrejas mais populares.
“A evangélica consegue entrar em todas classes sociais. E pelo fato de Brasília atrair pessoas de outras cidades, a religião é usada como refúgio. Mas, independentemente disso, é importante ter religião, pois não existe só um corpo, tem também a necessidade do espírito”, opina.
Buscando bem-estar, a evangélica Carmem Mascarenhas segue a religião desde pequena. Para ela, não adianta apenas ir à igreja, tem que ter atitude. “Ser com Cristo é ser como Jesus, ter disciplina. E isso eu encontro na igreja evangélica”, conta.