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Brasília

Caso Neneco: Todos são condenados

Arquivo Geral

09/08/2013 7h26

O Tribunal do Júri de Brasília condenou os quatro réus julgados pela morte de Ivan Rodrigo da Costa, em 2006.  Eles foram condenados por homicídio qualificado por motivo fútil, praticado por meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

 

A sentença foi lida às 16h30 de ontem, após um julgamento iniciado na terça-feira, cujos trabalhos duraram cerca de 30 horas. Fernando Marques Róbias e Francisco Edilson Rodrigues de Sousa Júnior foram sentenciados a 18 anos e seis meses de reclusão. Edson de Almeida Teles Junior recebeu a pena de 19 anos e nove meses e Alexandre Pedro do Nascimento de 18 anos e nove meses. A todos foi imputado regime inicial fechado para cumprimento de pena e todos receberam o direito de recorrer da sentença em liberdade.

 

De acordo com a denúncia apresentada no  início da ação penal, os réus teriam espancado Ivan, conhecido como Neneco, em um estacionamento próximo à Boate Fashion Clube, na Asa Norte. Um quinto acusado do crime, Thiago Martins de Castro, foi julgado em 2007 e condenado a 16 anos e seis meses de reclusão.

 

A princípio, todos os réus foram condenados  a cumprir 19 anos e nove meses de prisão. No entanto, os réus Fernando e Francisco tiveram a pena reduzida  por terem confessado  e por   atenuantes. 

 

Depoimentos

 

Na quarta-feira, três deles se recusaram a responder as perguntas do Ministério Público. Alexandre Pedro do Nascimento, porém, ao ser questionado, disse que viu entre oito e dez pessoas baterem em Neneco. Ele alegou ter saído do carro para apartar a briga.

 

Outro réu, Edson de Almeida Teles Júnior, negou ter batido na vítima. Já Fernando Marques Róbias, conhecido como Lacraia, admitiu a briga, mas afirmou que não o agrediu de forma desproporcional, dizendo que não saiu “da minha casa para matar alguém”. Ele dissi ainda que também foi agredido e, assim, a briga teria sido “de igual para igual”. Em um determinando momento, ele deu versões diferentes quanto às pessoas que estavam no carro, e disse que apenas dois dos réus teriam agredido a vítima.

 

Acusação

 

Entendeu a acusação que “com a reiteração de dolorosos golpes, os denunciados agiram com crueldade, impingindo à vítima atroz sofrimento, numa demonstração de ausência de sentimentos humanitários.” 

 

Sustentou ainda que “mataram por motivo fútil, por simples toque no vidro do carro dos denunciados, apenas para adverti-los do risco de uma provável colisão, é causa insignificante e desproporcional com a violenta reação homicida”.

 

Agressão fatal após mal entendido

 

A denúncia apresentada no início da ação penal  narra que “no dia 21 de agosto de 2006, por volta das 2h40, nas proximidades da Boate Fashion Clube, próximo ao Liberty Mall – Asa Norte”, os réus “usando força física dos próprios membros, numa sequência de golpes contra Ivan, causaram nele profundas e múltiplas lesões em todo o corpo, especialmente nas regiões mais sensíveis e nobres como cabeça e abdome, a ponto de causar-lhe a morte”. 

 

Prossegue a peça acusatória relatando que, na mesma ocasião, Fernando   golpeou Luiz Alberto Ferreira Lopes, especialmente na cabeça, provocando-lhe lesões.

 

Aniversário

 

Luiz Alberto teria saído para comemorar seu aniversário com o amigo Ivan e a namorada deste. Ao retornarem, teriam percebido que o pneu do carro estava vazio. Enquanto Luiz Alberto trocava o pneu, Ivan e a moça conversavam de pé, encostados na traseira do carro. Nesse momento, foram surpreendidos pelo carro de Fernando vindo muito rapidamente de marcha ré em sua direção. 

 

Para alertar do perigo de colisão, Luiz Alberto teria dado um toque no vidro do carro dos denunciados. “Injustificadamente irados”, argumenta a acusação, dois deles teriam descido para tirar satisfação “já com tom de voz alterado e partindo para agressões físicas”.

 

Fernando Lacraia teria iniciado uma séria de golpes em Luiz Alberto. Enquanto isso, os outros denunciados “massacravam  Neneco”. 

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