Dois carros abandonados no campus Darcy Ribeiro viraram focos do mosquito transmissor da dengue. Um está no estacionamento entre o prédio Multiuso e o Instituto de Artes (IdA), e o outro esquecido atrás do prédio da Associação dos Servidores da Fundação Universidade de Brasília (Asfub). O problema, apesar de não ser recente, se torna ainda mais preocupante em épocas de chuvas e com o número de casos de dengue aumentando. Nos dois primeiros meses do ano, foram confirmados 101,3% casos a mais que na mesma época em 2009 no Distrito Federal.
O carro que está atrás do prédio da Asfub é um Fiat 147 que a associação ganhou como pagamento de uma dívida há 12 anos. Na época, apresentou um problema, que nunca foi consertado, e o veículo foi se deteriorando cada vez mais. Hoje, além das larvas do mosquito Aedes aegypti, o carro abriga garrafas velhas e entulhos.
O veículo não pode ser vendido nem para ferro velho, porque ainda tem multas para pagar. Mesmo assim, o presidente da Asfub, Agnelo Pereira, promete resolver o problema até 14 de março. “Assumi a presidência há 15 dias, mas esse carro é uma das minhas prioridades”, afirma. “Ele é um risco até para nós que trabalhamos aqui”, completa.
O outro carro, que está no estacionamento entre o IdA e o Multiuso, foi parte de um cenário de uma produção do instituto. “Eles nos pediram espaço para guardar, mas a prefeitura não tem lugar nem para os carros que são usados a serviço”, explica o prefeito dos campi Paulo César Marques. Para minimizar o problema, a prefeitura cobriu o Chevette vermelho com uma lona.
A medida não adiantou. A própria lona acumula água e é possível ver as larvas nadando. “Venho aqui de 15 em 15 dias, mas não há remédio que chegue para fazer o controle”, conta Marcílio Rodrigues, funcionário da prefeitura e responsável pelo combate à dengue no campus. Segundo Marcílio, o carro está ali há mais de quatro meses.
Paulo César explica que como o carro tem dono e não está estacionado em lugar proibido, a prefeitura não pode pedir a remoção do veículo. Quem deve resolver o problema é o proprietário. “Se vai sobrar uma peça, o projeto tem que prever qual será a destinação ou onde será guardado”, defende.
CANGACEIRO DA DENGUE
Todos os dias, Marcílio pega uma bicicleta do projeto Bicicleta Livre e sai para percorrer o campus Darcy Ribeiro. Em busca de larvas do mosquito da dengue, olha cada buraco, cada fresta de árvore, cada boca de lobo. “Não deixo passar nada, olho até o esgoto”, conta.
Marcílio conta que mesmo assim o trabalho é insuficiente. Ele diz que servidores e professores chegam a reclamar com ele de focos que ele não consegue resolver. “Aplico o tratamento, mas só eu faço esse trabalho”, reclama. Há previsão, entretanto, que mais dois funcionários seja contratados ainda esse semestre para ajudá-lo na tarefa.