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Brasília

Carinho de mães e pais

Arquivo Geral

22/11/2013 7h26

“O movimento é pelos meus e, também, pelos seus filhos”. É o que diz Maria Cláudia Cabral, sobre o grupo Mães Pela Igualdade. O movimento do qual ela fala reúne pais e mães de todo o Brasil na luta pelo respeito aos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros (LGBT). Surgiu em abril de 2012, no Rio de Janeiro, após um parlamentar ter dito que “preferia um filho morto, a um filho gay”.

 

O discurso do político gerou tanta repercussão que o All Out, grupo mundial que apoia o respeito às diferenças culturais, sociais e sexuais, organizou uma exposição de fotos, de mães com seus filhos gays, contra a discriminação, no Rio de Janeiro (RJ). A mostra passou por São Paulo e outras cidades até chegar ao Congresso Nacional, em Brasília, onde foi construído um painel sobre direitos humanos. 

 

Segundo a advogada Maria Cláudia, no encontro, milhares de pais e mães viram a necessidade de montar um grupo de apoio à igualdade dos diretos dos LGBTs e ao combate da homotransfobia (medo da homossexualidade ou da pessoa homossexual). 

 

O movimento se assemelha ao Mães da Praça de Maio – criado na Argentina e que cobra justiça pela morte de filhos durante a ditadura militar no país –, e a criminalização do preconceito por orientação sexual e identidade de gênero. Entre as pautas estão a aprovação do Projeto de Lei da Câmara 122/06, que visa tornar crime a discriminação motivada pela orientação sexual ou de gênero. Se aprovado, irá alterar a Lei de Racismo (7.716) para incluir tais ações no conceito de racismo. Hoje, a lei só pune a discriminação por cor, etnia, origem ou religião.

 

Maria Cláudia, mãe de uma garota lésbica de 21 anos, diz que o projeto é uma das bandeiras do movimento. “A lei é pela aceitação de qualquer diferença. Isso traria benefícios para toda a sociedade”, diz.

 

Escola sem Homofobia

 

 A implementação do programa Escola sem Homofobia, outra luta do grupo, está parada. O objetivo é contribuir para a formação de profissionais que lidem, de maneira adequada, com temas relacionados à orientação sexual e de identidade de gênero. E oferecer cartilhas aos alunos. Por diversos embargos políticos o projeto saiu da pauta de votações para virar projeto federal. 

 

Maria Cláudia diz que a filha apoia sua participação. “Ela sempre teve apoio em casa, mas outra coisa é dar a cara a tapa e assumir sua condição para o mundo”, fala.

 

O ativista de direitos humanos LGBT Flávio Brebis diz que “o Brasil é recordista de homicídios pelo crime de ódio”. “Iniciativa como a do Mães Pela Igualdade soma esforços na busca pelo respeito à igualdade de direitos. Até em favor de famílias que acolham as diferenças”, conta.

 

Orgulho e preconceito

 

A paulista Majú Giorgi também é uma das pioneiras do grupo. Ela é mãe do jornalista homossexual André Giorgi e nunca teve vergonha disso. Mas admite que a descoberta não é fácil. Segundo a colunista, “por mais preparados que os pais se considerem para ter um filho gay, quando a ficha cai e você percebe a sociedade homofóbica em que ele está inserido, o temor pela integridade física e moral dele faz o chão abrir debaixo dos seus pés”.  O conselho que ela dá? “Junte-se ao movimento Mães pela Igualdade pela construção de um mundo mais acolhedor para os seus filhos! Sentir-se compreendido, perceber que outras pessoas sentem o mesmo que você e têm os mesmos anseios, te dá uma força descomunal”, completa. 

 
Saiba Mais

 
Uma das integrantes do movimento, Majú Giorgi possui uma coluna, onde fala sobre o grupo: maepelaigualdade.
ig.com.br. Ela ainda escreve para o blog Mães pela Igualdade sobre a história do grupo e depoimentos. 
 
Majú ainda administra páginas numa rede social, entre elas: Todos contra a homofobia, a Lesbofobia e a Transfobia, Cartazes & Tirinhas LGBT e Famílias fora do armário.
 
O movimento fez o I Encontro Mães pela Igualdade, em outubro. 
 
 

Movimento acompanha casos na Justiça

 

Os esforços do movimento para a aprovação da PLC, porém, não têm surtido efeito. A pressão da bancada evangélica por meio dos fiéis que enviaram e-mails aos parlamentares da Comissão de Direitos Humanos, do Senado Federal, resultou na retirada do PLC 122 da pauta de votação, por tempo indeterminado, na última quarta-feira.

 

O grupo também luta por maior rapidez da Justiça nos casos de crime de ódio e assassinatos homotransfóbicos. Entre os casos marcantes de violência que o grupo segue estão o de Igor Xavier, ator mineiro, que tramitou durante 11 anos e terminou com a condenação do acusado, Ricardo Athayde, por homicídio, em agosto deste ano. 

 

Maria Cláudia enfatiza que foi a primeira condenação nacional por crime de racismo. “A sentença já foi uma vitória, esperamos que outros casos tenham tal desfecho”, diz. Tramitam os casos do carioca Alexandre Ivo, 14 anos, supostamente espancado até a morte em 2010; e o do goiano Lucas Fortuna, 28, morto na praia de Gaibu, em Recife.

 

 

 

 

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