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Brasília

Cardápio gourmet, e-commerce e black friday, veja como funcionava o esquema milionário dos agrônomos da maconha

A estratégia de apresentar um cardápio “gourmetizado” impulsionava ainda mais as vendas

João Victor Rodrigues

27/02/2024 7h39

Foto: Imagem ilustrativa, criada a partir de Inteligência Artificial

Nesta terça-feira (27), a Operação Breeder revelou a habilidade e conhecimento dos traficantes envolvidos na produção de sementes de maconha. A Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) encontrou três locais onde os produtores cooperados atuavam, cada um cultivando plantas de genéticas distintas. Os cuidados eram minuciosos, com sistemas automatizados de iluminação, controle de PH na água de irrigação e ar-condicionado para aclimatação, garantindo um ambiente ideal para o crescimento das plantas.

Imagem ilustrativa, criada a partir de Inteligência Artificial

Os traficantes, com conhecimento em botânica, evitavam a polinização indesejada, misturando cuidadosamente as plantas de genéticas diferentes. Essa prática assegurava a qualidade das sementes, um aspecto crucial para o sucesso do esquema. O líder do grupo desenvolveu os chamados “setups”, nos quais os plantadores cooperados desempenhavam papéis fundamentais na operação.

Para atender a uma extensa clientela em todo o país, os “agrônomos da erva” enviavam até sete mil encomendas pelos Correios. Para disfarçar o conteúdo ilícito, as sementes de maconha eram colocadas em pacotes junto a objetos inofensivos, como brinquedos e pistolas d’água, camufladas nas laterais das caixas de papelão.

A investida da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) contra esse esquema criminoso revelou também o investimento significativo dos traficantes em soluções cibernéticas. A operação expôs a criação de uma plataforma de e-commerce especializada na venda das sementes de maconha já modificadas.

O operador do banco de sementes, inicialmente recebendo pedidos de forma individual por meio de contatos via Instagram e WhatsApp, desenvolveu a plataforma online para aprimorar o atendimento aos clientes, espalhados por todo o país, inclusive no Distrito Federal. Regiões como Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e Águas Claras eram alvos das remessas, assim como diversos produtores em outras localidades do DF.

Os “agrônomos da erva” elaboraram um extenso catálogo de cepas de cannabis. Cada variedade era descrita detalhadamente, incluindo informações sobre aroma, sabor, potência e os efeitos psicoativos que poderiam ser esperados. Essa abordagem de mercado refinada contribuía para a expansão e sucesso do esquema de tráfico de sementes de maconha.

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