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Brasília

Candidatos registraram queixa relatando fiscalização inadequada

Arquivo Geral

13/03/2012 10h05

Da Redação

redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

Mais confusão à vista. Depois de as provas para três cargos no concurso do Senado, no último domingo, terem sido canceladas, três candidatos ao cargo de policial legislativo registraram boletim de ocorrência na Polícia Federal relatando fiscalização inadequada durante a aplicação dos exames. Eles afirmam que nos locais onde realizaram as provas não foi verificado se os concurseiros guardaram os objetos eletrônicos e que os detectores de metal disponíveis para fiscalização não funcionavam.

 

Por isso, os candidatos exigem  a suspensão completa do processo seletivo. Eles afirmaram que, caso a prova não fosse anulada até a noite de ontem, buscarão a ajuda do Ministério Público do Distrito Federal  e Territórios (MPDFT) . No entanto,  a Fundação Getúlio Vargas (FGV), contratada para elaborar e aplicar as provas, informou não haver possibilidades de anulação dos exames.

 

A instituição  ainda não anunciou uma nova data para a aplicação das provas canceladas, mas adiantou, por meio de comunicado, que pretende divulgar um novo calendário até o fim desta semana.

 

O anúncio da anulação de parte das provas  ocorreu depois que um grupo de candidatos registrou na tarde do último domingo um boletim de ocorrência na 21ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Sul, reclamando de irregularidades na aplicação das provas. Ontem,  a delegada da 21ª DP, Vera Lúcia, que assumiu o caso, revelou que as ocorrências também serão encaminhadas à PF.

 

Lei para concursos

O presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Ernani Pimentel, acredita que a FGV há algum tempo vem criando alguns problemas. “Acreditamos que haja desorganização e falta de fiscalização por parte da fundação”, relata, lembrando que, no último ano, problema semelhante ao do concurso do Senado aconteceu na aplicação das provas para a Secretaria de Fazenda. 

 

Pimentel revela que a Anpac trabalha em duas frentes: a primeira é a de orientação aos alunos, antes e depois dos concursos. Já a segunda seria a luta para conseguir que seja elaborada uma lei séria e completa sobre a viabilização de provas. 

 

A Anpac já elaborou o Estatuto do Concurso Público – disponível no site da entidade, no endereço www.anpac.org.br –, mas, para Ernani, apenas uma lei poderia garantir, em médio prazo, que haja uma fiscalização rígida e uma organização comprometida, para que os candidatos façam suas inscrições com a certeza de que serão respeitados.

     

Com relação ao concurso do Senado, o presidente da Anpac aconselha todos os candidados que se sintam prejudicados, mesmo os que não tiveram sua prova anulada,  procurarem o Ministério Público (MP). “Só assim eles poderão se defender”, argumenta Pimentel.

 

Confusão revolta candidatos

Mesmo os candidatos que não tiveram suas prova anuladas sentem-se prejudicados. Daniela Rauter, 26 anos, que fazia prova para analista legislativo –  jornalista, resumiu sua opinião sobre o exame do domingo em uma palavra: revolta.  Ela foi umas das pessoas que fizeram a prova na Faculdade de Ciências Sociais e Tecnológicas (Facitec), em Taguatinga. “Eu estava no 4° andar do prédio e logo, que os fiscais deram início à prova, ouvimos um barulho vindo do 5° andar. Não sabíamos do que se tratava, mas a confusão já estava armada, e os fiscais não nos falavam nada”, lembra ela. 

 

Quando o tumulto começou, os candidatos acreditavam que o problema poderia estar relacionado, inclusive, à estrutura do prédio. “Ouvíamos o barulho do elevador insistentemente, e algumas pessoas, nervosas, começaram a achar que as instalações da Facitec é que estavam comprometidas”, revelou Daniela.

 

A confusão durou cerca de uma hora, mas foi suficiente para que aqueles que realizavam suas provas em outros andares da faculdade se sentissem desestruturados e injustiçados. “Paguei R$ 190 na inscrição, me dediquei durante um período longo, fazendo cursinho e estudando em casa, e é uma falta de respeito ter que responder uma prova inteira e escrever duas redações nessas condições”, irrita-se Daniela.

 

Barulho

A concurseira reclama também de o barulho após a confusão não ter sido controlado. “Não sei se foram os próprios candidatos que tiveram as provas anuladas, mas várias pessoas colocaram o som dos carros em um volume alto, ao lado das nossas salas. Eu entendo a revolta, mas para quem estava fazendo a prova foi horrível, e o tempo perdido não foi compensado por completo”, recorda.

 

Eduardo Calaça, 27 anos, também sentiu-se lesado. Ele fez a prova para policial legislativo na Unieuro, na Asa Sul, e conta que a fiscalização foi fraca. “Na sala em que eu estava, um candidato usou um relógio digital durante toda a prova. Parece algo pequeno, mas é injusto que alguns tenham tido a vantagem de poder organizar melhor o seu tempo”, relata. Segundo ele,  foi entregue um saco plástico para que os candidatos colocassem todo o material eletrônico que portassem, mas não houve fiscalização efetivas para verificar se todos tinham cumprido a regra. Para o concurseiro,  o ideal seria que todo o concurso fosse anulado. “Devia haver a suspensão total. Não podemos confiar, fomos todos prejudicados”, afirma.   

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