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Brasília

Campanha quer criar cultura de combate integral à corrupção

Arquivo Geral

08/11/2017 7h00

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

Formar e reformar cidadãos e cidadãs tendo a honestidade como princípio fundamental e indiscutível. Fomentar a criação de uma cultura focada no combate total contra todas as formas de corrupção, seja na sonegação de impostos, seja nos crimes do colarinho branco. Estes são os objetivos da campanha “Todos Juntos Contra a Corrupção”, idealizada pela Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla).

Enquanto ações de repressão, responsabilização e recuperação de recursos públicos, como a Lava Jato, representam a última etapa no combate a corrupção, este projeto foca na prevenção dos crimes. Ou seja, as operações dos órgãos de controle seriam como Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) para o tratamento do doente, enquanto esta campanha é uma proposta de vacina para evitar a doença, buscando sensibilizar os freios morais da população.

“Já imaginou um Estado probo? O quanto a população economizaria com educação, saúde, segurança e saneamento de qualidade?”,  Luciana Asper, promotora. Foto: Divulgação/MPDFT

“Já imaginou um Estado probo? O quanto a população economizaria com educação, saúde, segurança e saneamento de qualidade?”,
Luciana Asper, promotora. Foto: Divulgação/MPDFT

Segundo a coordenadora do projeto pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a promotora do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Luciana Asper, a formação de cidadão com identidade honesta e totalmente avessa à cultura da “esperteza” e do “jeitinho brasileiro” é fundamental para frear a corrupção endêmica no Brasil.

“Essa corrupção do dia a dia, endêmica é como uma infecção que se transmite para a sistema da administração pública e cria a corrupção sistêmica. O indivíduo flexibiliza as regras para si próprio, mas espera que o Estado seja diferente. Mas o Estado é reflexo do cidadão”, alertou Asper.

Para despertar a consciência da necessidade de uma mudança cultural, o projeto trabalhará com base em três pilares. O primeiro é uma campanha de conscientização. O material já está disponível no site: www.todosjuntoscontracorrupcao.gov.br. O segundo é formação de um banco de iniciativas públicas e privadas para a formação de cidadão engajados com a honestidade.
O terceiro será a consolidação de um rede colaborativa para lutar pela causa nacionalmente por longo prazo.

Lava Jato dá um exemplo para o País

A recuperação da economia nacional é consequência direta da Lava Jato, na avaliação de Asper. Segundo a promotora, a operação proporcionou um diagnóstico muito claro do tamanho do saque das riquezas da nação. Este foi um passo crucial para que investidores e empresários retomassem a expectativa de previsibilidade de investimentos no País.

“Alguns políticos e representantes da mídia dizem que a Lava Jato deveria acabar. Falam que a economia está melhorando. Mas a única e verdadeira razão para a melhora é justamente o combate à corrupção”, argumentou a promotora. Afinal a corrupção, inviabiliza as condições de competitividade real, aleijando as projeções de retorno dos investimentos.

Conforme o livro Clean Business is Good business, uma empresa que amplia investimentos de mercados de baixo grau de corrupção para praças de taxas médias e altas é forçada a mobilizar 20% de recursos a mais.

“Empresários perceberam a necessidade da gestão de integridade. Não só pelas exigências de acordos de compliance, multas e danos à imagem. Os riscos e punições sobre os empresários são mais pesados. Eles são presos, decretam falência, enquanto os políticos ainda não, infelizmente”, explicou Asper.

Saiba mais

  • O banco de iniciativas do projeto recebeu 90 projetos. No dia 4 dezembro, na Semana de Combate à Corrupção, as ações selecionadas serão divulgadas na Procuradoria-Geral da República (PGR).
  • A cultura das pequenas corrupções, alimenta as corrupção sistêmica, que por sua vez sustenta uma gestão pública falha e improdutiva.
  • Segundo, Luciana Asper, pesquisas alertam que famílias e escolas começaram a deixar de lado a valorização da honestidade cotidiana.

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