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Brasília

Caminho cheio de problemas em calçada da 612 Sul

Arquivo Geral

03/07/2013 7h46

Com apenas seis meses de uso, a calçada que dá acesso aos estudantes do Centro de Ensino Especial 2, na 612 Sul, à escola já apresenta diversos problemas. O lugar, que deveria facilitar a chegada dos deficientes visuais à unidade de ensino, agora se torna um complicador. Isso porque o piso tátil do trajeto já apresenta rachaduras, além de ter a textura semelhante ao restante do ladrilho, o que torna uma tarefa quase impossível para o cego fazer a diferenciação do piso.

 

Em determinado trecho ainda há duas árvores no meio da calçada. Difícil é encontrar algum portador de deficiência visual que não tenha esbarrado em uma delas.

 

Maria Otília Mendes, 59 anos, auxiliar de educação, tem traumas da árvore no meio do caminho. Por conta disto, ela já pensou em até deixar de ir à unidade de ensino. “Eu já bati minha cabeça nela duas vezes, da última fiquei com um galo na testa”, destaca. Se não fosse a ajuda da monitora Daniele Silva, 29 anos, que também é deficiente visual, Otília não saberia o que fazer. “Eu venho agarradinha nela porque ela já montou uma estratégia para escapar da árvore”, comenta.

 

Daniele Silva relata que, ao descer do ônibus, elas vão percorrendo a beira da pista tendo como referencial o meio fio. “Assim, nos desviamos das árvores, contudo tem o risco de se passar próximo demais dos veículos e também há um trajeto de barro em que podemos tropeçar”.

 

O vice-diretor do CEE 02, Airton Dutra aponta a falta de conhecimento para a execução da obra. “Não se consultou quem realmente necessita deste acesso. Quem enxerga não percebe as dificuldades neste caminho, entretanto, para o cego faz toda a diferença”, diz. Ele aponta dificuldades como o desnível entre os ladrilhos, as rachaduras e até mesmo o piso danificado. “Vemos que o material usado é de péssima qualidade porque esta obra foi entregue há pouco tempo e já apresenta danos. Há um risco de acidente”, observa Airton.

 

Calçadas inacabadas são empecilhos

 

O aposentado Amadeu da Paixão Caldeira, 59 anos, se queixa da textura do piso. “Sinto muita dificuldade para andar porque a textura da calçada me parece toda igual. Sempre me perco, por isso, procuro me orientar pelo gramado nas laterais”, explica. Ele também reclama das rachaduras no piso.

 

No caso do servidor público André Luis Gomes, 43 anos, a situação é ainda pior. Ele tem que andar pela pista se arriscando entre os carros porque não há pelo menos uma calçada no trajeto que faz. O servidor também se queixa das muitas calçadas inacabadas.

 

Para a gestora do serviço de orientação inclusiva, projeto da Universidade Católica de Brasília (UCB) e psicóloga, Andressa Monteiro, este tipo de situação de acessibilidade precisa ser acompanhada por profissionais que tenham sensibilidade e conhecimento. “Por ser um ambiente para facilitar a mobilidade é preciso planejar. Pois só assim obstáculos não indiferentes às pessoas sem deficiência são indicados por estes profissionais”, diz a especialista.

 

Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Educação do Distrito Federal ainda não havia se pronunciado em relação ao caso.

 

 

Os pisos adequados: entenda a diferença

 


– Direcional:  É o piso que direciona as pessoas com deficiência visual ou  cegas. Ele é formado por feixes salientes retangulares em paralelo  que, como sugere o próprio nome, indica a direção a ser seguida.  O piso direcional deve ser usado em calçadas largas e de grande circulação, indicando o caminho a ser percorrido e em espaços muito amplos. 

 

 

 

– De alerta:  É usado para sinalizar situações que envolvem risco de segurança. Esse piso é composto por meias calotinhas que levam um nome bem estranho (tronco-cônicos). Esse tipo é usado para alertar as pessoas cegas. Quando elas passam com a bengala ou notam a textura diferente do piso com a sola do sapato, já sabem que terão um obstáculo à frente: seja uma travessia, um poste, uma árvore ou um telefone público.

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