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Brasília

Caminhada literária mobiliza o Gama no combate ao feminicídio

Evento no Gama uniu literatura, educação e mobilização social, com participação de estudantes, entidades e comunidade

Redação Jornal de Brasília

23/04/2026 18h41

Foto: Divulgação

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O Gama foi tomado por palavras, passos e propósito na manhã desta quinta-feira, 23. Cerca de 200 pessoas participaram da primeira Caminhada Literária de Combate ao Feminicídio, promovida pela Academia Gamense de Letras, em uma mobilização que uniu literatura, educação e ativismo social.

A caminhada teve início na sede da AGL, no Setor Central, e seguiu até a Administração Regional do Gama, em um percurso marcado por faixas, palavras de ordem e distribuição de materiais informativos. O ato foi conduzido majoritariamente por mulheres, transformando o trajeto em um manifesto coletivo por justiça e pelo direito de viver sem medo.

O som que embalava os passos também veio da cultura popular. A bateria da Mocidade do Gama marcou o ritmo da caminhada, trazendo energia, presença e ampliando o alcance simbólico do ato nas ruas da cidade.

A presidente da AGL, Zenilda Vilarins, destacou o caráter transformador da iniciativa.

“A Caminhada Literária Passos e Versos por Elas reafirmou nosso papel na sociedade, o compromisso com a transformação social e a conscientização sobre a nossa realidade. Mais do que um evento, foi um momento de reflexão, de exercício da empatia e de reconhecimento da literatura como uma poderosa ferramenta de mudança capaz de transformar pensamentos e atitudes. Seguimos caminhando, escrevendo e refletindo, sempre juntos”, afirmou.

Idealizador da ação, o vice-presidente da Academia, Manoel Pretto, chamou atenção para a importância do engajamento masculino na pauta. Segundo ele, o combate ao feminicídio não pode ser uma responsabilidade exclusiva das mulheres.

“Os homens precisam assumir essa luta como parte da sua própria transformação. Não se trata apenas de apoiar, mas de reconhecer o papel que historicamente tiveram nessa estrutura e agir para mudar essa realidade. Combater o feminicídio também é um compromisso masculino com uma sociedade mais justa e equilibrada”, pontuou.

Entre os participantes, professoras e estudantes da Escola Classe 21 do Gama deram um tom simbólico ao ato. As crianças carregavam cartazes produzidos por elas mesmas, com mensagens de conscientização e respeito.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A professora aposentada Zelma da Luz, que dedicou anos à educação na cidade, ressaltou o impacto pedagógico da experiência.

“Essas crianças nunca vão esquecer esse momento. Quando elas participam de uma ação como essa, elas não estão apenas aprendendo sobre um tema — estão formando valores, construindo consciência e entendendo, desde cedo, a importância do respeito e da igualdade”, afirmou.

A mobilização também contou com a presença da presidente da OAB Gama, Fabrina Gandra, que destacou o papel institucional no enfrentamento à violência contra a mulher.

“Nós estamos aqui hoje acompanhando essa caminhada, representando a OAB. Nós estamos aqui para garantir que nenhuma mulher caminhe só. As mulheres merecem caminhar livres e sem medo. Temos também projetos de vítimas assistidas e um projeto agora que está sendo desenvolvido nos jogos de futebol. Nós sabemos que a violência aumenta em dias de jogos e é por isso que a nossa comissão de enfrentamento está trabalhando em todos os jogos, trabalhando no Candangão, para que a gente leve essa conscientização e cheguemos até o fim da violência contra a mulher”, destacou.

Foto: Divulgação
Fabrina Gandra, presidente da OAB Gama – Foto: Divulgação

Representando a escola de samba, Edilamar Melo, a Dila, presidente da Mocidade do Gama, reforçou o papel social da cultura no território.

“O papel social da escola vem em primeiro lugar, então a Mocidade do Gama além de ser carnaval, samba, festa, que todo mundo conhece, tem como papel principal estar junto da comunidade fazendo trabalhos sociais de dança, de artesanato, de música, e trazer alegria para as pessoas, fomentando a cultura da cidade e fazendo nosso papel que é na verdade divulgar a arte e cultura por todos os cantos, e na nossa cidade precisamos estar presentes em todos os movimentos”, afirmou.

A organização informou que o evento poderia ter reunido ainda mais estudantes e professores, mas a data coincidiu com a paralisação da categoria. Ainda assim, a adesão foi considerada expressiva e simbólica.

Entre versos, tambores e passos, a caminhada deixou um recado claro: quando a literatura encontra a rua e a cultura pulsa junto, a mensagem não só ecoa — ela atravessa.

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