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Brasília

BRB muda regras do aumento de capital e amplia prazo de preferência

Banco passará a aceitar aportes parciais e fará homologações intermediárias de recursos. Prazo para exercício do direito de preferência foi prorrogado até 3 de junho.

Redação Jornal de Brasília

28/05/2026 12h03

Foto: Divulgação/BRB

Foto: Divulgação/BRB

O Banco de Brasília (BRB) anunciou mudanças em seu processo de aumento de capital e passará a aceitar aportes parciais de recursos. A instituição informou que poderão ser feitas homologações intermediárias de recursos internalizados até o montante de R$ 8,8 bilhões, com posterior autorização do Banco Central.

Segundo o banco, o novo modelo permite que os recursos aportados produzam efeitos no capital de forma gradual, sem prejuízo das etapas remanescentes. Até então, o BRB precisava aguardar a conclusão de todo o processo de captação para receber a aprovação final do Banco Central.

Em abril, os acionistas já haviam aprovado a proposta de aumento de capital da instituição, cujo principal acionista é o governo do Distrito Federal, com 53,7% das ações. O banco pode emitir ações ordinárias e preferenciais até o limite de R$ 8,81 bilhões, ao preço de R$ 5,36 por ação, em subscrição privada.

Com isso, a expectativa é que o capital social do banco passe dos atuais R$ 2,344 bilhões para, no mínimo, R$ 2,88 bilhões, chegando no máximo a R$ 11,16 bilhões.

Outra alteração anunciada foi a prorrogação do prazo para compra de novas ações por acionistas que têm direito de preferência. O BRB informou que o prazo foi estendido até 3 de junho, com o objetivo de preservar o direito de todos os acionistas.

As mudanças ocorrem em meio à crise institucional enfrentada pelo banco, que, segundo as informações divulgadas, foi exposta após a primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. A investigação apontou um esquema de fraudes financeiras e indicou que o BRB teve prejuízo bilionário na compra de ativos do Banco Master.

O controlador do Master, Daniel Vorcaro, está preso desde março deste ano, investigado por fraudes financeiras bilionárias. Os desdobramentos do caso levaram ao afastamento e à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, suspeito de ter recebido propina de Vorcaro para viabilizar o negócio.

Até o momento, o tamanho exato do prejuízo ainda não foi confirmado, porque o banco não entregou ao Banco Central suas atualizações contábeis periódicas e obrigatórias. O prazo legal era 31 de março, mas foi adiado após a instituição não publicar suas demonstrações financeiras. A estimativa é de que o prejuízo supere R$ 10 bilhões.

Paralelamente, o governo do Distrito Federal acionou o Supremo Tribunal Federal para sustentar a obrigação do governo federal de socorrer o BRB. A ação é relatada pelo ministro Luiz Fux e, nesta manhã, a governadora Celina Leão e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participam de audiência na Corte sobre o tema.

Na ação, o governo distrital busca aval para R$ 6,6 bilhões em empréstimos que negocia com o Fundo Garantidor de Crédito. Para isso, pede que o Supremo obrigue o Tesouro Nacional a revisar a nota de crédito do GDF e permitir a operação com o FGC.

Segundo as informações divulgadas, o aumento de capital e a recomposição das contas do BRB são necessários para que o banco se enquadre nas exigências regulatórias do Banco Central e siga em funcionamento após as fraudes apontadas pelas investigações.

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