Gabriella Bontempo
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O militar Cléber Andrade costuma passear de bicicleta com a família pelo Eixão nos fins de semana. Para ele, essa é a única maneira favorável e segura de usar o meio de transporte no Plano Piloto. A queixa é a falta de estrutura: sem ciclovia e respeito é impossível trocar o carro pela bike no dia a dia.
Com o objetivo de repensar e conscientizar a população de que existem outros meios de locomoção, a Semana da Mobilidade, lançada ontem pela Organização Rodas da Paz, promoveu um passeio ciclístico para cobrar um olhar diferenciado dos governantes e mostra quanto à quantidade de veículos nas ruas. O evento marca a iniciativa do Dia Mundial Sem Carro, celebrado no próximo dia 22.
“Andar de bicicleta no fim de semana é uma coisa, porém ir ao meu trabalho, no Lago Sul, é altamente inseguro. Acredito que a convivência seja possível, mas as vias mais tranquilas são apenas as residenciais. Acho perigoso o ciclista ficar num cantinho, em um trecho de 80 km/h. O ideal seria ter uma separação segura entre os dois lados”, explica Cléber Andrade.
Alternativas
O presidente da ONG Rodas da Paz, Uira Lourenço, acredita que o modelo de transporte atual, que é altamente dependente do automóvel, tem vários efeitos negativos, como acidentes, poluição, congestionamento, estresse, mau uso do espaço público. É preciso que as pessoas tenham outras alternativas para se locomoverem.
”Você não precisa gastar tanto com estacionamentos, com ampliação viária. Isso não é coisa de ambientalista maluco, mas por quem opta por meio de transporte barato e saudável”, comenta.
A programação quer levantar tema da mobilidade urbana saudável. “Por que usar o carro todo se posso usar a bicicleta, o ônibus, ou ir a pé? Acredito que essa mobilização vai fazer as pessoas enxergarem que é possível o uso de outras possibilidades, desde que seja implantada infraestrutura para isso”, ressalta a vice-presidente Beth Davison.
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