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Brasília

Base aprova relatório e CPI da Saúde é encerrada sem pedidos de investigação

Arquivo Geral

12/05/2017 7h00

Atualizada 11/05/2017 22h16

Placar de votação ficou em quatro a três: oposição foi derrotada. Foto: Breno Esaki

Millena Lopes
millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br

Depois de apresentar um relatório, que segundo os próprios deputados, traz dados maquiados, o texto do deputado Lira (PHS) foi aprovado na CPI da Saúde. A favor, os parlamentares aliados do governador Rodrigo Rollemberg: além do relator, Agaciel Maia (PR), Luzia de Paula (PSB) e Juarezão (PSB). Contra, o presidente, Wellington Luiz (PMDB), Robério Negreiros (PSDB) e Wasny de Roure (PT). A pizza, conforme os parlamentares reconhecem, foi servida, já que o texto apresentado por Lira não recomenda investigações ou indiciamentos.

Wasny acusa Lira de ter usado o relatório parcial que ele havia elaborado e adulterado dados informados. “O relator pegou nosso trabalho e colocou no relatório final apenas o que interessava a ele e ao governo. Colocou o nome de algumas pessoas e tirou o de outras, que estavam envolvidas nos mesmos casos, só porque se tratavam de amigos do governador”, dispara.

Farpas trocadas

  • Robério Negreiros disse que não conseguiu terminar de ler todo o relatório apresentado por Lira. “Parei na metade. É um texto desconexo, pífio e vergonhoso”, disse, ao lembrar que foi o deputado do PHS que sugeriu a criação da CPI. “O que o relator está nos oferecendo não é uma pizza, mas sim um calzone, que é uma pizza fechada e robusta”, atacou.
  • Lira disse que Robério foi um dos que mais faltou às reuniões da CPI e “agora quer posar de bom moço para a sociedade”

Para Wellington, que assume que a CPI “terminou em pizza”, o Palácio do Buriti participou da confecção do texto. “Verifiquei interferências do governo no relatório final, para que não fossem apontados culpados pela situação vergonhosa pela qual passa todo o sistema de saúde, que vai da má gestão a possíveis fraudes e benefícios escusos a pessoas e instituições privadas, em todos os níveis”, destaca ele, para quem o sistema de saúde está viciado “e tão doente quanto aqueles que buscam as filas de hospitais”.

Para Lira, o relatório foi mal compreendido. “Não houve indiciamento de ninguém simplesmente porque não foram encontradas provas”, disse. Os deputados investigados na Operação Drácon, conforme ele disse, não são citados porque a CPI não teve acesso ao teor das investigações, que correm em segredo de justiça. “Não posso sugerir indiciamentos com base em notícias de jornal”, diz.

Pouco antes da votação, o relator apresentou mudanças no texto que já havia sido distribuído aos deputados. Entre as alterações, ele excluiu o nome do vice-governador Renato Santana das investigações.

O governo informou que não interfere nas ações do Legislativo.

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