No dia mundial da Juventude (12), a Câmara Legislativa recebeu cerca de 100 jovens em seu plenário para discutir a Política Distrital de Juventude, sancionada pelo governador Agnelo Queiroz em 1º de agosto. A deputada distrital Arlete Sampaio coordenou a mesa, que contou ainda com a participação do coordenador de Juventude da Secretaria de Governo, Carlos Odas, e do vice-presidente do Conselho de Juventude (Conjuve-DF), Adriano Antonino.
A deputada relembrou os protestos que mobilizaram o país em junho, destacando o protagonismo dos jovens. “Essa onda de manifestações fez muito bem ao Brasil, a todos nós. Ficou um resultado positivo, de governos preocupados em definir políticas para a juventude brasileira”, declarou. Arlete apresentou dados sobre a juventude no DF e ressaltou a importância da Lei 1.500/2013 para o Distrito Federal.
“O desafio maior é tornar tudo isso concreto e real na vida de cada um de vocês”, disse Carlos Odas, dirigindo-se ao plenário e descrevendo cada uma das ações da Política Distrital de Juventude. “O sentido da política pública é levar a todos a oportunidade que apenas alguns têm”, explicou.
O secretário de Igualdade Racial do DF, Veridiano Custódio, falou sobre a importância do combate ao extermínio da juventude negra, e que este tema é fundamental para fortalecer os jovens. “A violência é o problema que mais preocupa a juventude, porque os jovens estão tendo sua vida ceifada. Uma grande nação precisa cuidar dos seus jovens não amanhã, mas hoje”, disse.
Mirelly Cardoso, diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), concordou e acrescentou: “o jovem não é o futuro, é o presente. As manifestações por mais direitos mostraram que nós queremos melhores condições de vida agora, no presente”. Mirelly reforçou que convidar os jovens para debater a Política é a melhor maneira de construir algo para esse público, dando protagonismo à juventude. “Nós podemos e precisamos ocupar os espaços políticos, afinal, esse espaço é nosso também”, salientou.
O secretário de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), Daniel Seidel, apresentou as políticas da Secretaria voltadas aos jovens, e frisou que as conquistas foram graduais e frutos de luta. “Somos herdeiros de uma cultura de Estado que ainda discrimina nossa juventude negra e de periferia. Essas juventudes precisam lutar pelos seus direitos”, orientou.
Debate
A principal reivindicação dos jovens foi educação de qualidade. Muitos listaram problemas estruturais e pedagógicos em suas escolas, que iam desde inundações até a falta de professores. O passe livre estudantil também foi questionado. “Do que adianta ter o passe livre, o direito à educação, se essa educação não é de qualidade? Se está assim no presente, então não teremos futuro”, disse o estudante Gabriel Maranhão.
Adriano Antonino, vice-presidente do Conjuve-DF, ressaltou a importância da educação para a ressocialização dos jovens que cumprem medidas socioeducativas. “A ressocialização passa pela educação, e com a que a gente tem lá dentro [da unidade de internação], não estamos no caminho certo”. O vice-presidente do Conselho se comprometeu, ainda, a levar as demandas dos jovens para debate no Conjuve-DF.