Resolver problemas jurídicos, denunciar irregularidades, obter passe livre ao transporte público, solicitar apoio de intérpretes. Esses e outros serviços estão disponíveis no Centro Integrado de Atendimento à Pessoa com Deficiência (Ciapede), que funciona na Praça do Cidadão, dentro da estação de metrô da 114 Sul.
O programa é coordenado pela Secretaria de Justiça (Sejus) e será expandido no ano que vem. “O que realizamos na Praça do Cidadão deu tão certo que será ampliado: em 2014, vai ser inaugurado um Ciapede em Taguatinga”, prevê o subsecretário de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Sejus, César Pessoa de Melo.
A estudante Ana Karoline, 19 anos, é surda e visita diariamente a Central de Intérprete de Libra, na Praça do Cidadão, onde intérpretes acompanham, presencialmente, pessoas com deficiência auditiva na resolução de demandas diversas, como consultas médicas e audiências judiciais. “Na escola, não tenho problemas para me comunicar porque há professores preparados, mas, em casa, minha mãe e minha irmã não entendem muito de libras, então misturam português com a língua de sinais”, conta Ana, interpretada por uma funcionária da Central.
A intérprete Thalita Araújo, que trabalha na área há 12 anos, diz que o atendimento vai além da companhia em serviços básicos. “Recebemos todos os tipos de problemas, mas o que mais aparecem são conflitos familiares. Tivemos situações em que a família pediu reunião interpretada para entender o comportamento do surdo. Pais e filhos brigavam sem motivo aparente, apenas por não compreenderem um ao outro”, descreve.
Usuário do passe livre, o assistente administrativo Kléber Galeno, 38 anos, tem deficiência física e diz que a Praça do Cidadão é ideal para pessoas com mobilidade reduzida. “O endereço é muito bom e fácil de chegar, venho de ônibus ou metrô. Quanto mais programas vierem pra cá, num só lugar, melhor para nós”.
Atendimento irrestrito
Embora voltado ao atendimento de pessoas com deficiência, o Ciapede disponibiliza alguns serviços para todos os cidadãos. É o caso da Defensoria Pública, que atende cerca de 200 pessoas por dia, entre usuários com e sem deficiência que não têm condições de pagar um advogado particular, e do Programa de Assistência Multidisciplinar a Vítimas de Violência (Pró-Vítima), da Sejus.
Viver sem Limite
O Ciapede faz parte do Plano Viver sem Limite DF, coordenado pela Casa Civil e pela Sejus. A população pode contribuir com a proposta, que está em consulta pública até 8 de novembro. O objetivo é qualificar as políticas públicas de inclusão para garantir a integração de programas e ações que proporcionem, de forma equitativa, os direitos das pessoas com deficiência.