Embora o ato tenha sido marcado pelo vandalismo, houve gente, muita gente, que foi à Esplanada dos Ministérios e ao Eixão para manifestar de maneira sadia, com o objetivo de expressar seus desejos de cidadania e demonstrar pacificamente o fato de estarem insatisfeitos com a atual conjuntura do País. Essa gente foi, cantou e protestou em paz, com cores, amores e criatividade. Houve poesia em meio ao caos…
Com sete cartazes com referência à melhoria nos serviços de saúde, educação e transporte, a empresária Patrícia Andrade, 37 anos, aderiu à marcha Acorda Brasília. Ela diz que entre as reivindicações, estão a punição pelo alto custo das obras do Estádio Nacional Mané Garrincha e a saída de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado. “Assisti ao movimento Diretas Já e fui cara-pintadas. Manifestações como essas que vivemos hoje só demonstram que o Brasil acordou”, acredita.
Nas mãos, o pedido de paz. Esse era o objetivo de Luis Brito, 69 anos, no manifesto. O educador seguiu pelo gramado central da Esplanada com uma faixa branca e letras pedindo paz. “Os jovens precisam ter uma perspectiva de vida na base da esperança. Essas manifestações aconteceram na hora certa. Precisa ser refletido nas eleições de 2014”, ressalta. Rayssa Brito, 15, acompanhou o pai. “É hora de juntar as forças contra a corrupção. Viemos para conseguir algo melhor para o nosso Brasil. Viemos lutar por um país que a cada dia está pior. Viemos pela paz.”
A técnica em eletrotécnica Nathália Kamilo, 18 anos, ressalta as manifestações como uma luta do povo pela conquista das reivindicações. Segundo a jovem, as reivindicações não são exclusivamente pelo transporte. “O povo não aguenta mais ficar calado. Reagimos não só para a melhoria do transporte público, mas, também, para uma melhor saúde e educação. Também queremos a não aprovação da PEC 37. Essa é uma manifestação legal que luta pelos direitos dos brasilienses”, destaca.
Os amigos agentes dos Correios José Gomes, 56 anos, Luiz Pellegrine, 53, e Nélio Lima, 57, pediram, por sua vez, a não aprovação da anistia pela PCL 083/2007. “Queremos que os demitidos em razão da greve dos Correios sejam readmitidos. A PCL será votada no próximo dia 3 e viemos, para além de pedir melhorias na saúde, educação e transporte, conscientizar os parlamentares pela não aprovação”, disse Pellegrine. Nélio conclui. “Os protestos estão sendo um sucesso em todo o País.”