Raissa Lomonte
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Em Brasília, nem mesmo as árvores escapam da mira de criminosos. Na 313 Norte, 17 árvores teriam sido envenenadas. Após receber denúncias de moradores da região, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) fez vistoria no local e confirmou que as plantas foram expostas a substâncias tóxicas. O órgão vai encaminhar a análise do ocorrido para a Delegacia Especial de Meio Ambiente (Dema), que deve investigar o caso.
Segundo o chefe do Departamento de Parques e Jardins da Novacap, Rômulo Ervilha, as árvores tiveram o tronco perfurado. “Houve um envenenamento. Foram feitos furos na parte do tronco e injetadas substâncias tóxicas. Os moradores denunciaram porque elas estavam secando rapidamente”, relata.
Segundo ele, algumas árvores estão morrendo e deverão ser cortadas. “Essa é a tendência das que estão mais secas. Elas devem ser retiradas, e novas podem ser replantadas no lugar. Algumas ainda não morreram, temos que aguardar”, diz Ervilha.
O delegado-chefe da Dema, Ivan Dantas, disse que a delegacia ainda não foi oficialmente solicitada para investigar o caso, o que deve ocorrer ainda hoje, segundo a Novacap. Ele antecipa que o culpado poderá responder por crime ambiental. “Por destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia, a pena é de três meses a um ano, ou multa, quando é doloso. No crime culposo, a pena é de um a seis meses, ou multa”, informa, referindo-se ao artigo 49 da Lei de Crimes Ambientais – Lei 9.605/98.
Os moradores estão sem entender ao certo o que aconteceu. O síndico do Bloco F, Enock Santana, disse que não havia notado diferença nas plantas. Cinco árvores na frente do prédio murcharam. “Não sabemos o que houve. Elas já tinham secado uma vez, e depois voltaram ao normal. É uma perda para nós, porque elas ajudam a proteger do sol, protegem os carros”, lamenta.
Segundo o síndico, alguns moradores reclamavam das árvores, que estariam perto demais dos apartamentos. “Uma vez, o GDF veio cortar os galhos, que estavam chegando nas janelas. Em relação à presença de bichos nas árvores ou outros transtornos, nunca reclamaram”, explica. Ele conta que o condomínio não notou movimentações suspeitas próximo das árvores.
A estudante Liliane Dourado costuma levar os filhos para brincar embaixo das árvores. Agora, não sabe se isso vai ser possível. “Vai fazer muita falta se cortarem. A árvore ajudava os moradores com o sol. Acho um absurdo o que fizeram. Algumas são até frutíferas, as crianças gostam de brincar lá”, afirma. “A única coisa que seria perigoso é um ninho de marimbondos, mas isso não é motivo para matar as árvores”, completa.