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Brasília

Arredores dos hospitais públicos são ponto estratégico para a rede particular

Arquivo Geral

28/04/2012 7h06

Kamila Farias
kamila.farias@jornaldebrasilia.com.br

As falhas no atendimento da rede pública de saúde têm dado lucro para as clínicas particulares. Muitos pacientes, cansados de esperar por consultas, exames e tratamentos nos hospitais do governo, acabam colocando a mão no bolso e recorrendo aos serviços pagos. Esse novo cliente tem despertado interesse. Tanto que os pontos comerciais próximos às unidades hospitalares valem ouro.
A equipe do Jornal de Brasília percorreu várias cidades como Gama, Santa Maria, Recanto das Emas, Samambaia e Asa Norte, e a situação é a mesma: a insatisfação com o serviço público se reverte na procura pela rede privada, que encontra na proximidade das unidades públicas um ponto estratégico de negócio.

No Gama, por exemplo, bem perto do hospital regional, basta atravessar a rua que são encontradas várias clínicas com atendimento em clínica médica, ginecologia, pediatria, cardiologia, ortopedia e neurologia, entre outras especialidades muito procuradas, mas nem sempre encontradas com facilidade na rede.

 

Os preços aplicados pelas clínicas próximas aos hospitais públicos das cidades são mais em conta do que aquelas instaladas no centro da capital. Uma consulta com um ginecologista no Setor Hospitalar Sul, por exemplo, sai por uma  média de R$ 300. Enquanto isso, no Gama, é possível pagar R$ 60.

A clínica Bip-Coração, na Quadra 1 do Gama, é um exemplo dessa realidade. De acordo com a supervisora da empresa, Danielle Sousa, o preço oferecido é bem mais acessível. “Aqui tem muita procura, principalmente pelos pacientes do hospital público, devido à demora no atendimento e na realização do exame. Por isso, temos um preço bem acessível. Um exame de eletrocardiograma, por exemplo, pode sair a R$ 100”, afirma.

A clínica foi aberta há quatro anos na região e tem conseguido bons resultados. “Aqui tem um médico que também atende na rede pública e muitos vêm procurando por ele, mas também temos bons profissionais. Apesar de ter várias clínicas por aí, cada uma tem seu espaço”, avalia.

 

A dona de casa Leda Bezerra teve que recorrer a uma clínica particular para realizar uma ultrassonografia, pois não existe previsão de data para marcação no Hospital do Gama. “Minha médica pediu urgência, mas quando fui marcar, disseram que tinha cinco pessoas na minha frente e que não tinha uma data certa para ser marcado o exame. Como a médica tem pressa, tive que fazer de forma particular mesmo”, justifica.

Para a realização do exame, Leda desembolsou R$ 130. “Tive que tirar dinheiro de outros gastos para fazer o exame. Acho isso injusto, mas ou pagamos ou morremos, e como a saúde não pode esperar, decidi pagar. Isso é um descaso com a gente, pois quando procuramos o médico, é porque temos necessidade. E se a médica passou o exame, é porque realmente eu preciso”, ressalta.

Ela considera que a saúde da população não tem sido tratada como deveria pelo governo. “A gente tem que pagar por algo que é de nosso direito. Parece que eles não estão se importam com a gente”, reclama.

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