Com a idéia de valorizar aquelas que deixaram suas terras natais e seguiram rumo a um lugar desconhecido, no centro do país, acreditando no sonho de Juscelino Kubitschek, o Arquivo Público do DF dedica o seu Calendário de Mesa 2011 a homenagear as “ Mulheres Pioneiras” . Uma comissão foi designada para “ eleger” as homenageadas. Um critério foi estabelecido: necessariamente, as escolhidas deveriam ter chegado à cidade antes de 1960, ano de sua inauguração, e alcançado destaque em sua áreade atuação ainda naquela época.
O superintendente do Arquivo Público do DF, Luiz Ribeiro Mendonça, destaca a importância do lançamento. “ Não é possível construir uma cidade, e sua memória, sem homenagear os seus diversos segmentos. Por isso, resolvemos destacar a mulheres pioneiras que foram fundamentais naconsolidação da cidade” , ressaltou.
No processo de produção do calendário, o Arquivo Público reuniu um grupo de pessoas que conhecem a fundo a história de Brasília, e que estavam aqui antes da inauguração da nova capital. A comissão foi integrada por Alcione Alves da Costa, Cosete Ramos Gebrim, Elvira Barney, Emylze Calaça, Natanry Osório, Neusa França, Palmerinda Donato e Adirson Vasconcelos.
Naqueles tempos, a maior parte das profissionais recém-chegadas à futura capital federal, vindas de várias partes do Brasil, ficou abrigada na Cidade Livre, onde atualmente estão o Núcleo Bandeirante e a Candangolândia.Uma das primeiras construções foi o Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira, todo de madeira, atual Museu Vivo da Memória Candanga.
“ Nenhuma obra humana é perfeita e, certamente, cometemos omissões na eleição das mulheres pioneiras que aparecem no calendário. Neste caso, peço desculpas por antecipação” , justifica Luiz Ribeiro Mendonça. A proposta da comissão foi destacar as brasileiras que enfrentaram momentos difíceis a fim de cooperar com a construção da capital federal. Da seleção constam profissionais enfermeiras, professoras, comerciantes, engenheiras, jornalista e até uma cartógrafa, entre outras (veja lista completa abaixo).
História
Uma das candangas, a primeira enfermeira da nova capital, Cacilda Rosa Bertoni, 91 anos, conta que veio de São Paulo com os dois filhos para acompanhar o marido em 1957: ” Eu achei a ideia de vir para Brasília meio esquisita, mas acabei vindo. Meus filhos eram pequenos e eu pensei que aqui eu só iria cuidar deles e da casa. Mas quando cheguei as carências eram tantas que passei a fazer partos em domicílio” , lembra.
Já a carioca Palmerinda Vidal Donato, 79 anos, conta que começou a sua história na capital federal em 1957, quando chegou para o lançamento da Pedra Fundamental. Além disso, foi assessora da campanha de JK à Presidência da República e acompanhou O Fundador e a primeira-dama até a morte dos dois. “ Aqui era só poeira, lama. Só havia a avenida W3 Sul, o resto era lama. Eu comprei um sapato de camurça e fui para a igreja. Quando eu saltei do carro e entrei na igreja, meus sapatos endureceram por causa da lama” , recordou.
Além dessas, inúmeras outras mulheres fizeram parte dessa luta, ajudando como podiam. Atualmente, elas se orgulham de terem participado da epopéia da construção da cidade, Patrimônio Cultural da Humanidade. O sonho, que era também delas, hoje é uma realidade.
Serviço
O Arquivo Público do Distrito Federal funciona no mesmo local da Novacap, SAP, Lote B, Bloco 41. Os telefones são (61) 3361-1454 e 3361-7739.
Confira abaixo os nomes e as profissões de cada uma das mulheres homenageadas no Calendário de Mesa 2011
– Amábilde Andrade Gomes – primeira professora
– Ana Sacramento Mendes – primeira mulher a morar em um canteiro de obras, na 208 Sul
– Anahir Costa Ribeiro – professora pioneira
– Cacilda Rosa Bertoni – primeira enfermeira
– Carmela Salgado – fundadora da Casa do Candango
– Clélia Freitas Capanema – professora de Psicologia do Centro de Ensino Médio
– Coracy Uchoa Pinheiro – presidiu a Fundação das Pioneiras Sociais
– Cosete Ramos Gebrim – líder estudantil
– Ecilda Ramos de Sousa – professora emérita
– Eleonora Morandi Quadroa de Santana – engenheira
– Elza Motta Nardelli – Movimento das Bandeirantes do Brasil
– Florinda Take Yabushita Ofugi – agricultora da colônia japonesa
– Guiomar de Arruda Câmara – cartógrafa
– Leo Tigre Peter (Mãe Preta) – professora e fundadora da Creche Mãe
Preta
– Maria da Glória Freitas Quintela (Irmã Celina) – religiosa, professora
– Maria das Dores Chagas – servidora da Novacap
– Maria de Lourdes Cruvinel Brandão – primeira professora de Música
– Maria de Loudes Junqueira – dona um dos primeiros restaurantes da Cidade Livre, o ” Serra Azul
– Maria de Lourdes Lopes Cunha – Fundadora da Escola de Auxiliar de Enfermagem de Brasília
– Maria Francisca Alves de Souza (Dona Chiquinha) – merendeira das escolas Júlia Kubitschek e Zoobotânica
– Mercedes Ribas Parada – secretariava o marido engenheiro Joffre Mozart
Parada, ajudava-o nos desenhos e datilografava memoriais
– Mercedes Urquiza – jornalista
– Mitsuko Kakumoti (Dona Virgínia) – primeira cabeleireira da Cidade Livre
– Natanry Ludovico Lacerda Osório – professora
– Neise Ataíde de Oliveira Fernandes – educadora
– Neuza Pinho França Almeida – professora de Música, autora do Hino de Brasília
– Olga Andrade Abraão – comerciante e servidora da Novacap
– Olinda da Rocha Lobo – professora do Grupo Escolar Júlia Kubitschek
– Palmerinda Vidal Donato – escritora
– Philomena Leporoni Mazzola – comerciante, parteira e fundadora da
Creche Núcleo Bandeirante
– Salen Kosak – comerciante
– Santa Alves Soyes – coordenadora educacional
– Stella dos Cherubins – Nascida em Planaltina, onde o pai era prefeito e a mãe, diretora de escola. Das mais respeitadas figuras da educação
– Talita Aparecida de Abreu Katucha – primeira cronista da cidade. Jornalista
– Therezinha de Medeiros – servidora do Gabinete Civil do ex-presidente JK
– Yolanda Maria da Silveira Monteiro – uma das fundadoras da Casa do Candango
– E as mulheres da vida de JK: Julia (mãe), Sarah (esposa) e as filhas Márcia e Maria Estela.