
Camila Costa
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A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros interditaram parte da pista na quadra 2 da área econômica do setor Sudoeste depois que o zelador de um prédio encontrou embalagem com selo radioativo no meio da rua. O isolamento foi de quatro metros e os moradores tiveram que retirar os carros que estavam estacionados perto do local. Mesmo com medo, muitos ficaram por perto, tiraram fotos e até buscaram livros para ler sobre o material encontrado, identificado como iodeto de sódio 131. Apesar do susto, um representante do Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) que foi até o local e analisou a embalagem, descartou a possibilidade de contaminação radioativa na área.
Francisco Tomaz de Aquino, de 53 anos, trabalha em um prédio a AE 01 e encontrou o material na última sexta-feira. Segundo o zelador, por não conhecer o material, não deu importância e não chamou ninguém. “Eu estava passando pela rua quando viu um pote cinza no caminho. Chutei e senti que era pesado, foi quando abaixei e peguei com a mão, mas soltei no lixo achando que era para jogar fora”, diz. Um morador, que conhecia o selo do CNEN, também viu a embalagem e ligou para o Corpo de Bombeiros ontem pela manhã. “Ainda bem que ele conhecia, eu nunca vi estas coisas. Já ouvi histórias de pessoas que morreram depois que tiveram contato com estes tipos de materiais, fiquei preocupado, mas agora que eles disseram que não terá problema estou mais calmo”, explica Francisco.
A embalagem, de cerca de 150ml, estava vazia e, segundo o pesquisador titular do CNEN, Adriano de Souza, com o prazo de validade vencido, um dos motivos de não oferecer mais risco de contaminação. O pesquisador usou detectores de radiação para medir o nível do material e de Francisco, que teve contato com a embalagem. “O pote está vazio e com a validade vencida desde 2008. O produto é radioativo, poderia estar contaminado, mas está seguro, até mesmo porque a propriedade ativa é de apenas oito dias”, explica.
I-131 – De acordo com informações do CNEN, o iodeto de sódio 131 é um produto radioisótopo usado na medicina no diagnóstico de doenças da glândula tireóide e para tratamentos de radioterapia, em casos de câncer. Por ter uma validade média de oito dias, o produto tem sido substituído em exames pelo iodo 123 ultrapuro, cuja radioatividade dura 13,2 horas.