Bruna Sabarense
Os brasileiros apaixonados pelo automóvel mais vendido da história, e presente em mais de 150 países, comemoram nesta quinta-feira (20) o Dia Nacional do Fusca. Oficializada pela Prefeitura de São Paulo em 1996, a data também marca o ano em que o modelo parou de ser fabricado pela segunda vez.
Diversas pessoas tiveram o Fusca como seu primeiro carro, ou passaram a infância andando nos Fuscas dos pais e avós. Mas, também existem aqueles que passaram a admirar o carro tardiamente, até mesmo depois do fim da sua fabricação. O geólogo José Eduardo Lima e Silva, 28 anos, é um desses casos. Há um ano e meio, José Eduardo fez uma viagem que o fez querer mudar de vida completamente. Ao chegar em Brasília, mudou não só o endereço, saiu de Vicente Pires para morar na Asa norte, como também resolveu vender seu carro, na época um Corsa Sedan, e comprar uma bicicleta. Em seguida, um amigo estava vendendo um Fusca 67, que só funcionava por ligação direta e mesmo contra a vontade do pai, Vanildo Batista, em relação ao investimento, José Eduardo comprou o Fusquinha, que virou seu xodó e passa por reforma até hoje.
Ao ver o empenho do filho em buscar peças para o carro na internet, e saber que a manutenção, assim como as peças não eram caras, Vanildo também pegou gosto pelo carro e hoje pai e filho são donos de 10 Fuscas, sendo quatro de José e seis de Vanildo. Entre os veículos, o mais velho é um modelo de 1963 e o mais novo é de 1980.
José Eduardo acredita que o Fusca é um carro especial. “Onde você passa com um fusca em boas condições, as pessoas buzinam, cumprimentam e acham bonito”, relata. Ele explica que quanto mais antigo, mais valorizado no mercado, e que o sonho de qualquer colecionador é o Fusca Alemão original, pois são raridades. Um dos carros já foi totalmente reformado, mas o xodó de José Eduardo ainda não está pronto, trata-se de um exemplar do modelo 67. “Imaginei peça por peça, parafuso por parafuso. Quero que fique perfeito!”, sonha José Eduardo.
O geólogo acredita que cada carro tenha a sua história e que muitas vezes as pessoas não dão nada por um carro velho, mas o interior pode ser original e a estrutura ainda pode estar boa, fatos que ajudam a reformar um carro com pouco dinheiro. Um Fusca de Eduardo, de cor laranja, foi mantido com sua pintura original e pertenceu a uma família de japoneses de São Paulo, passando por gerações, até que o último neto resolveu se desfazer do veículo.
Um casal de amigos já pediu um dos Fuscas emprestados para ser usado nas fotos do álbum de casamento. E, apesar de não anunciar, o geólogo fica a disposição para disponibilizar os veículos para quem quiser expor. Infelizmente, os planos de pai e filho para o futuro são de vender alguns dos carros, pois a falta de tempo e o custo não permitem que eles cuidem dos carros como deveriam. “Não é justo com os fuscas”, lamenta Eduardo.
Produzido em 1935, na Alemanha pela companhia Volkswagen, o Fusca só chegou ao Brasil no final dos anos 50. Projetado com o intuito de ser um carro pequeno, econômico e de fácil produção, ganhou as ruas e o apelido de “Volks Wagen”, traduzindo “carro popular”. Ao longo de sua existência, o Fusca originou outros projetos que utilizaram sua mecânica, como o cupê TL, do sedã VW 1600 (conhecido como “Zé do Caixão”) e da Brasília, além da perua Kombi. Automóveis fora de série, como alguns modelos da Gurgel e os esportivos da Puma, também aproveitaram os propulsores a ar da VW.
Em Brasília, o VW Boxer Clube do Fusca do Distrito Federal, reúne pessoas que tenham em comum a paixão pelos motores VWs antigos. O presidente do clube, Miguel Gustavo Pinheiro, foi um dos fundadores e trás a paixão pelo veículo desde a infância. Quando o pai, militar reformado, precisou mudar do Rio de Janeiro para Brasília em 1969, a família pegou a estrada em um Fusca 67. O carro acompanhou a família diversas vezes no trajeto Brasília/Rio de Janeiro/ Santos, e por isso, virou um ícone da infância de Miguel. “Meu pai sempre teve Fusca, quando tive que comprar um carro, foi um Fusca e meu filho tem um Fusca”, diz. O carro de Miguel é de 73 original e possui placa preta, de colecionador.
Os encontros do Clube do Fusca do Distrito Federal acontecem todas as quartas-feiras, às 19 h no Terraço Shopping. A entrada é franca e aberta ao público. O clube tem estatuto, é registrado e conhecido mundialmente. São mais de 300 associados, ou amigos como o clube prefere chamar, de todas as partes do mundo.
SAIBA +
Em 1953, o primeiro fusca motor 1200 cm3, genuinamente brasileiro, era montado num galpão alugado em São Paulo
Em 1993, o ex-presidente Itamar Franco, com a idéia de lançar um carro popular, incentivou o relançamento do Fusca. Foram vendidas mais de 40 mil unidades até julho de 1996, quando saiu novamente de produção.
Para substituir o novo Fusca foi lançado o New Beetle. Uma alternativa da Volkswagen para oferecer uma versão do fusca que pudesse contemplar todos os avanços tecnológicos da indústria automobilística.